"Meu anjo eu tenho 1,68 de altura, 65 quilos, cabelo castanho, peitos médios. São R$ 40,00 um programa de 40 minutos a uma hora". Isso é o que a transexual Josiane Alves fala em grande parte das ligações que recebe através dos anúncios que faz em jornais. Ela atende os clientes em casa, localizada na Vila Hauer. A profissional prefere não trabalhar na rua por ficar sujeita à levar pedradas, ovos ou até sacos com urina.
A rotina de Josiane é limpar a casa e depois se arrumar para receber eventuais clientes. Mas o ritmo de trabalho caiu devido à grande concorrência. Segundo ela, muitos homossexuais que não são travestis ou transexuais se vestem de mulher para realizar programas. "O mercado está saturado. Não tem trabalho para tanta gente. Muitos jovens acham que é fácil essa vida. Mas não existe glamour nenhum", explica.
Josiane também diz que a vida de uma transexual em Curitiba não é fácil. Há algumas semanas haviam 70 travestis fazendo programa na Avenida Getúlio Vargas. Não existe cliente para tudo isso. Assim, o valor dos programas cai muito e algumas topam sair com alguém por R$ 15,00 ou até em troca de droga. "Tem dona de pensão que cobra diária com direito a comida. Como elas viram que o negócio é lucrativo, acabam virando agenciadoras e trazem diversas travestis de outros Estados. Hoje, a maioria vem de fora e tira o nosso trabalho", reclama Josiane. Ela ainda diz que as diárias nas pensões giram em torno de R$ 40,00.
Se o movimento de atendimentos em casa diminui, Josiane é obrigada a trabalhar na rua. Mas ela é contra a nudez explícita que algumas fazem enquanto estão no ponto. Segundo a transexual, durante o dia já é possível encontrar travestis na Rua Anne Frank, na Vila Hauer. Josiane acredita que a nudez explícita traz mais violência. Por ser contra esse tipo de prática, ela nunca havia sido agredida. Porém, na última semana foi violentada pela primeira vez por dois homens. Para evitar este tipo de situação, Josiane acredita que discrição é fundamental. Até hoje ela não passou muitos constrangimentos em público. Na última vez estava com uma amiga em uma loja de eletrodomésticos e viu que os seguranças começaram a fazer piadas. A casa em que mora também já foi apedrejada por estudantes de uma escola próxima. Após acionar a polícia, que ficou de plantão em frente à residência, as agressões diminuíram. (D.C.)

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