Aulas aproximam comunidades do estudo da música
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
A Oficina de Música de Curitiba está promovendo nesta semana cursos especiais em sete ruas da cidadania: Bairro Novo, Boa Vista, Pinheirinho, Santa Felicidade, Boqueirão, Cajuru e Fazendinha. Com horário alternativo (das 18h30 às 22 horas) e preço mais acessível (as inscrições custaram R$ 10), essas aulas visam aproximar as comunidades na área de abrangência das regionais do estudo da música.
Na Rua da Cidadania do Bairro Novo, estão sendo ministrados cursos de técnica vocal e de violão. Segundo a Fundação Cultural de Curitiba, na regional, 36 pessoas se inscreveram para o primeiro curso e sete para o segundo.
É uma opção para as pessoas que não podem pagar ou que não têm nível para as outras aulas da Oficina de Música, afirma Ivan Moraes, professor do curso de técnica vocal. Ele explica que as aulas que ministra oferecem conteúdos básicos, de iniciação.
Muitos dos alunos são pessoas ligadas a igrejas, que querem cantar em cerimônias. O objetivo do curso é despertar aquela coisa de aprender a cantar. Quando você se dispõe a estudar música, você tem que aprender a dominar o seu instrumento. No caso da voz, o sistema fonoaudiológico. Por isso, trabalhamos respiração, empostação, articulação, afinação, ritmo, diz Moraes. É um começo para a pessoa estudar canto, mas não queremos apenas formar cantores. A música transmite um sentido de humanismo, ensina coisas para a vida, como respeito.
Fabiano Silveira, o Tiziu, professor do curso de violão, explica que nas suas aulas os estudantes já tinham um conhecimento prévio do instrumento. O principal foco é enfatizar a leitura musical. Como o violão é muito popular, muitas pessoas têm contato com o instrumento mas não com a leitura, afirma Tiziu, explicando que o objetivo do curso é fomentar a busca por conhecimento. É um estímulo para que os alunos tenham acesso a diferentes repertórios, busquem conteúdo nas bibliotecas, argumenta o professor, que nas aulas dá preferência a composições de músicos brasileiros.
A dona de casa Eva Serafim da Silva participa pela segunda vez das aulas de técnica vocal da Oficina de Música. Ela diz que há dois anos busca se aprimorar na área. Eva inclusive faz parte de um grupo vocal - Cantores da Tarde -, dentro do Comunidade Escola, projeto no qual colégios ficam abertos para a população nos fins de semana.
Tenho asma e fazer aulas de técnica vocal me ajuda muito, garante a dona-de-casa. Sei que não vou chegar a me profissionalizar. Canto porque faz bem ao meu ego, à minha saúde, e isso já vale a pena.
O pintor e eletricista Isac Bento de Barros tem um violão há dois anos e agora busca desenvolver suas habilidades no instrumento. Gosto de instrumentos de corda, acho bonito. Passei a me interessar quando meu irmão comprou um violão e começou a aprender. Sempre tem aquela coisa, do irmão mais novo ir na onda do mais velho..., lembra Barros.
O pintor conta que domina o trompete, instrumento que tocou durante sete anos na igreja. A diferença principal do violão para um instrumento de sopro é que, como você pode cantar e tocar ao mesmo tempo, fica mais fácil fazer canções, escrever versos, argumenta. A vantagem de ter uma aula na Oficina de Música é que você sabe que está aprendendo com um profissional qualificado, você sente segurança, diz Barros.


