''A aula é um momento de troca, e o ensino a distância não permite isso''. Com essa afirmação, a professora Maria Inês Nobre Ota, diretora de apoio a ação pedagógica da pró-reitoria de graduação da UEL, questiona a validade do ensino a distância. Para ela, os alunos até podem fazer perguntas durante uma aula dessa modalidade, ''mas não há oportunidade de promover uma discussão, um diálogo''. A professora ressalta também que a formação de professores através do ensino à distância permite a perpetuação de um modelo de educação que privilegia a simples transmissão de informações, não a troca.
Para Maria Inês, o professor não é o ''dono'' do conhecimento, mas um profissional com ''um senhor conhecimento'' que deve ter a visão de onde quer chegar com a sua aula. ''E isso não é feito por um único caminho. Uma pergunta de um aluno pode mudar completamente a aula, os 'caminhos' dependem de como a turma reage'', argumenta. Numa aula a distância, opina Maria Inês, o aluno receberia tudo ''pronto'', sem a possibilidade de questionar.
E o ensino superior, para ela, é ''muito mais'' que transmitir informações, mas a associação de ensino, pesquisa e extensão. ''A educação superior é muito mais que ensino, tem que ser praticado, a universidade se sustenta nesse tripé (ensino, pesquisa e extensão). A universidade não existe sem inserção na comunidade, sem desenvolver o espírito de construção e intervenção'', afirma.
Maria Inês propõe inclusive o resgate do que chama ''ambiente da universidade'', que foi se perdendo com a reforma universitária na década de 70. ''A ditadura quando implantou o sistema de crédito nas universidades, com o propósito de não formar turmas e desarticular o movimento estudantil, deixou o individualismo como uma triste herança. É preciso resgatar isso, o aluno viver intensamente a universidade, participando de seminários de tudo quanto é área e se formar um intelectual, que vai atuar como um médico, um advogado. E a escola são os prédios e aglutinações de gente'', avalia.
Ela faz questão de enfatizar que não é contra o uso da tecnologia durante as aulas. ''Se você tem a oportunidade de usar é interessante, mas a aula não deve ser centrada nisso'', conclui.

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