Auge do estresse ocorre entre 30 e 39 anos
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domingo, 26 de novembro de 2006
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro- Metas a cumprir no trabalho, funcionários para supervisionar, formação profissional a concluir, três filhos para criar. Cinco anos atrás, a vida de Beatriz Cristina dos Santos, então com 34 anos, era puro estresse. O alerta soou quando o filho do meio foi ao shopping e não voltou no horário combinado. ''Fiquei possessa, exagerei e deixei ele de castigo por um mês inteiro. Foi quando meu marido me deu o toque: ''Você está muito tensa, precisa maneirar.''
A idade de Beatriz, administradora de empresas, diz muito sobre o que se passou. De acordo com levantamento realizado pela psicanalista Márcia Merquior, com base no atendimento de 261 mulheres de 20 a 55 anos em cargos executivos, a faixa que vai dos 30 aos 39 é a mais crítica. ''É quando a carga de trabalho é mais puxada e a competitividade é maior. Por outro lado, os filhos ainda são pequenos e a mulher se culpa por achar que não está sendo uma boa mãe'', explica Márcia, que é doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
A pesquisa foi feita com pacientes assistidas entre 2000 e 2004, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Ela se impressionou com um dado: 68% das mulheres que apresentavam quadro de estresse encontravam-se nos três níveis mais altos da escala usada pela equipe médica para medir a gravidade do problema. A tabela vai de 0 a 4. Ou seja: estavam à beira de um ataque de nervos.
Era exatamente esta a sensação de Beatriz. Depois do episódio com o filho, ela resolveu que tinha de mudar. Procurou um médico e fez o primeiro check-up de sua vida. O diagnóstico foi certeiro. Ela estava no nível 3 da escala. Confirmação daquilo que seu corpo já avisava. ''Meu cabelo estava caindo, passava o tempo todo irritada, tinha insônia. Eu trabalhava dez, doze horas por dia. Às vezes, dava 4 da tarde e me lembrava que não tinha almoçado.''
As mudanças vieram e melhoraram o dia-a-dia de toda a família. Para começar, Beatriz trocou de emprego e agora tem horários mais flexíveis. Faz aula de ioga três vezes por semana e caminha na praia.
Os check-ups se tornaram anuais - o último, feito em setembro, comprovou que o pacote antiestresse lhe fez bem: sua marca na escala havia caído para 1.
Beatriz resume sua lição: ''É preciso buscar mecanismos para atenuar o estresse. Todo mundo tem de ter tempo para ler um livro, pegar o filho na escola, um dia, e passar a tarde toda com ele.'' É justamente a falta dessas pausas que fazem com que o estresse atinja níveis preocupantes.
Márcia Merquior tenta explicar aos pacientes, homens e mulheres, que, para se livrar deste mal moderno, é necessário arranjar tempo para fazer esporte, dormir as horas necessárias, cuidar da vida amorosa, descansar.
SERVIÇO:
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