A inauguração da fábrica da Volkswagem/Audi, nesta segunda-feira, em São José dos Pinhais, consolida um dos mais significativos movimentos da economia paranaense dos últimos anos.
Concebida há pouco mais de dois anos, num momento de grande tranquilidade no cenário econômico brasileiro, a empresa começa a operar justamente na hora mais nervosa do turbilhão financeiro que afeta o País e várias partes do mundo, o que só confirma a visão de longo prazo dos empreendedores e a confiança com que o Estado do Paraná estrutura o seu futuro.
Mais que uma nova fábrica, aqui chegada no bojo de investimentos industriais que vão batendo nos 16 bilhões de dólares, a Volkswagem/Audi representa um salto tecnológico e constitui-se em fator decisivo para fazer do Paraná, juntamente com outras empresas do setor, o segundo pólo automotivo do País.
Isso não é café pequeno. É preciso que se atente para o círculo virtuoso determinado pela indústria automotiva, que não se restringe ao setor industrial, mas alcança todos os demais setores da economia, até mesmo o agrícola. Há um Paraná antes, outro depois da indústria automotiva.
Ao ousar na industrialização, o Paraná precisou ousar também na infra-estrutura. Do jeito que estavam, nossas principais estradas não eram atrativas para novos empreendimentos industriais, prejudicavam o escoamento das safras, consequentemente afetando a produção. Com a perspectiva de crescimento rápido, foi possível atrair a iniciativa privada para bancar a restauração das estradas e explorá-las mediante concessão. O mesmo ocorre com os portos de Paranaguá e Antonina, tudo ensejando confiança nos novos empreendedores e melhores perspetivas ao empresariado paranaense já estabelecido.
Enquanto estas questões dizem respeito ao aspecto macro da economia paranaense, notoriamente reconvertida após a industrialização, há uma profusão de exemplos mais singelos que estão interagindo positivamente na vida das pessoas. Vão do padeiro que aumentou sua produção para atender os novos funcionários da indústria às novas escolas de línguas estrangeiras, passando pelo jovem que consegue emprego nos novos hotéis que pipocam aqui e ali e por uma infinidade de novas oportunidades, muitas impensadas até há pouco tempo, que vão surgindo em toda a parte.
Os críticos da nossa estratégia de desenvolvimento referem-se à automação crescente da indústria para desdenhar dos empregos por ela gerados, questionam os incentivos concedidos, tentam criar um falso dilema entre o investimento industrial e o agrícola e entre a capital e o interior.
É de se perguntar: sem as novas indústrias, as já existentes deixariam de racionalizar sua produção e aumentariam o número de vagas? Certamente que não!
Esquecem também, os críticos, que sem os incentivos as indústrias iriam para outros Estados, e que tais incentivos são estabelecidos sobre os impostos que as empresa irão gerar. Impostos que não existiriam se elas não viessem.
Igualmente é uma maldade acusar-se o governo de privilegiar a capital no processo de industrialização. Primeiro o governo tratou de garantir para o Estado o maior número de empresas. As do setor automotivo ficaram todas na região metropolitana, especialmente pela proximidade com o Porto de Paranaguá. Mas apesar disso vão interagir intensamente com as demais regiões do Estado. A Audi, por exemplo, vai abastecer-se de chicotes elétricos em Irati e, de pneus, em Ponta Grossa. Além disso, dos 16 bilhões de dólares conquistados pelo Paraná em investimentos industriais a maior parte refere-se a empreendimentos no interior do Estado.
Com o tempo, os críticos haverão de concordar com a imensa maioria do povo do Paraná, que reconhece na Volkswagem/Audi e nas mais de 600 empresas que se estabeleceram ou ampliaram suas plantas no Estado um fator decisivo de desenvolvimento e afirmação de nossa terra como a terra da esperança e da oportunidade. Um Paraná que resgata a confiança em seu destino.
Jaime Lerner

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