Atuba em expansão
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segunda-feira, 28 de maio de 2007
Marcos Martins<br> Equipe da Folha 
Muitas construções em andamento, diversas placas de 'aluga-se' e 'vende-se' nas portas de novas casas, plantões de venda de loteamentos. O Atuba, bairro situado próximo ao limite com a cidade de Colombo, está em franca expansão. E o que atrai novos moradores ao local, que foi habitado pelos fundadores de Curitiba, é a calmaria e o clima de cidade pequena.
A história conta que as margens do Rio Atuba foram povoadas pela primeira vez no século 16, por pioneiros da cidade, antes de mudarem para o lugar que hoje é a Praça Tiradentes, no Centro. Após a debandada, o Atuba foi ocupado por fazendas e grandes plantações de milho e soja, como revelam os moradores atuais. O comerciante Aroldo Batista Júnior chegou a ser vizinho de uma delas quando chegou ao bairro, em 1989. ''Naquela época só havia duas casas e um bar aqui. No final da minha rua passava um rio e já começava a plantação de milho que ia longe'', recorda.
Um recente levantamento realizado pela Galvão Nuna Planejamento Imobiliário revelou que os moradores são predominantemente de classe média, têm imóvel próprio (90%), são na maioria mulheres (72%) com idade entre 30 e 60 anos (66%), que moram com cônjuge e um ou dois filhos e praticam suas atividades de lazer nas imediações do bairro, onde residem há três anos ou mais (52%). Quem se encaixa neste perfil é a turismóloga Rosângela Skroch. Aproveitando o fim de tarde para um cooper no Parque do Atuba, ela destaca a tranquilidade do local. ''Não tem poluição nem barulho, então dá uma ótima qualidade de vida'', argumenta.
Foi essa busca por calma que trouxe a salgadeira Brasilina Elvira da Silva. A idéia de deixar o Centro, onde morava antes, partiu do filho, há dois anos. ''Ele comprou um terreno, aí fizemos um sobradinho. Como é bem mais calmo, não tem a barulheira do Centro, é mais gostoso de morar'', opina.
Mas tanto Brasilina quanto Rosângela apontam um aspecto negativo: a distância. ''Para morar aqui precisa ter carro. É longe de tudo, então quando você precisa de algo, tem que se deslocar'', recomenda Rosângela. Para Brasilina, o bairro tem espaço para expansão do comércio. ''São poucas opções, então quem vier pra cá abrir loja acho que vai fazer um bom negócio'', avalia.
A urbanização trouxe asfalto, novos moradores e também pode atrair novos pontos comerciais ao Atuba. E a expectativa é de que o esgoto seja outro ítem que não demore a chegar. ''Isso é um grande problema. O bairro já está bem desenvolvido, mas ainda estamos no tempo da fossa'', lamenta Aroldo.
A segurança também é apontada como preocupação. ''Falta um policiamento mais ostensivo'', sugere Rosângela. Para Aroldo, a retirada de um módulo policial do bairro, ocorrida há alguns anos, prejudicou. ''Dia desses um vizinho foi morto com um tiro no peito, quando chegava em casa com a família. Isso nos assusta'', protesta.
Equilibrando-se nos pontos prós e contras de viver no Atuba, os moradores fazem um balanço. E concluem que trocar de bairro seria uma tarefa complicada. ''Teria que escolher muito bem! Mas acho que não. Já me acostumei aqui, não mudaria'', avalia Rosângela.
Para Brasiliana, as dúvidas cessariam com pequenas mudanças. ''O que mais me incomoda é a falta de comércio. Talvez mudasse só por causa disso, mas resolvendo isso fica muito bom''. Já Aroldo é enfático. ''De jeito nenhum. Problema tem em todo lugar e aqui eu conheço todo mundo, gosto de tudo'', resume.


