Atuação da FEB foi decisiva na Itália
Criada a partir de 1943, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) demorou um ano para ficar pronta. A princípio, o Brasil mandaria para a Segunda Grande Guerra, 100 mil homens em três divisões para atuarem ao lado do 5º Exército dos Estados Unidos. Mas por causa da carência de pessoal apto física e intectualmente apenas uma divisão foi enviada.
Após 106 mil candidatos examinados, o 1º Escalão da FEB embarcou com 5 mil homens. Cerca de 200 deles foram enviados para a guerra com graves doenças infecto-contagiosas para completar a tropa, que ao final da participação brasileira no conflito totalizou 25 mil integrantes. É surpreendente que a FEB tenha dado certo e feito bonito até. Somente metade deles eram militares, a outra metade foi recrutada à força entre os mais pobres. Tinha militar de carreira que não queria se envolver. Quem tinha padrinho ou pistolão fugiu. Na véspera do embarque ainda havia troca de comando nos pelotões, com comandantes abandonando suas tropas, explica o professor do departamento de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Dennison de Oliveira, pesquisador da participação do Brasil da Segunda Guerra Mundial.
Dos 25 mil brasileiros enviados para combater na Itália, 10 mil embarcaram apenas em janeiro de 1945. Eles vão quando a guerra já está acabando, 8 mil combatentes não viram a guerra, afirma Oliveira.
Mesmo com uma tropa pequena, a FEB foi responsável por feitos decisivos para a campanha dos aliados na Itália. Comumente exaltada por sua atuação na tomada de Monte Castello, foi em Montese e Fornovo que a FEB viveu momentos decisivos no conflito, segundo o professor Oliveira. Em 14 de abril de 1945, na batalha de Montese, a FEB enfrentou com êxito a artilharia alemã, ajudando a abrir caminho para a tropa americana que avançava. Logo em seguida, no dia 28 de abril, os brasileiros capturaram sozinhos a 148ªDivisão de Infantaria Alemã completa, formada por quase 15 mil homens.
Em 239 dias de atuação, a FEB capturou 20.573 prisioneiros, mais do que os cerca de 15 mil brasileiros que estiveram em ação de combate na Itália. Nosso soldado demonstrou grande espírito combativo para surpresa nossa. Eles não estavam preparados e toda a nossa expectativa foi realizada, avalia o ex-combatente Pérsio Ferreira.
A enfermeira voluntária Virgínia Leite conta que os próprios soldados alemães prisioneiros de guerra reconheciam a bravura dos expedicionários brasileiros. Mais de uma vez aconteceu de alemães feridos dizerem que o melhor soldado do mundo é o alemão e o segundo melhor é o brasileiro, lembra.
Segundo o professor Dennison de Oliveira, conhecer a história da FEB é conhecer a história do povo brasileiro. A FEB não é o exército, é o povo brasileiro. E que portanto é uma síntese desse povo com seus méritos e defeitos. Conhecer a história da FEB é conhecer a história da cidadania, da relação do povo com seu estado, defende. (D.R.)





