A melhora na vida dos negros brasileiros ''caminha tão lentamente que até irrita'', diz a atriz Taís Araújo, que dá seu voto a favor das cotas. Protagonista na novela ''Da cor do pecado'', da Rede Globo, ela diz que a novela foi um avanço. Investir em educação e em ações afirmativas aumenta a auto-estima. Mesmo anos depois da escravidão a população negra vive marginalizada.
A marginalização já foi pior para Marçalzinho, diretor de bateria da Portela, de 48 anos, e filho do veterano Mestre Marçal. Mas o racismo no Brasil, mesmo não sendo ''a olho nu'', existe: ''Lembro-me do sofrimento que passei e da dificuldade de meu pai para criar três filhos. O negro tem que ser negro e brigar pela igualdade''.
Foi o que fez o empresário Adalberto Paz do Nascimento, 37 anos, formado em administração e dono da Reciclar Design, que fabrica pastas e embalagens de papel reciclado. Adalberto pertence ao seleto grupo dos 22% de empregadores brasileiros negros, contra 76% de empresários brancos, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas (Ipea). A história de Adalberto é raríssima no Brasil: sua mãe era semi-analfabeta e o filho começou a vida como contínuo. Quando fundou sua empresa, há nove anos, lembra que todos estranhavam quando se apresentava como empresário.
''Já fui barrado em porta de agência bancária. Para cursar a faculdade fiz das tripas coração e pouco mudou. Tanto que quase não há negros em cargos de direção ou empresários. Tem que investir em educação. A gente só consegue alguma coisa se estiver bem preparado.
Os avanços a passos lentos são uma das queixas da cantora e atriz Zezé Motta, que há 30 anos milita no movimento negro e preside o Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro (Cidan): ''Sempre tivemos menos espaço na mídia. Nosso padrão de beleza é importado e isso se reflete na TV. Enquanto a auto-estima for baixa, alguns terão vontade de embranquecer.(Agência Globo)

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