Através de parceria com empresas, Copel quer explorar novas áreas
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Carmem Murara 
de Curitiba
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) começa a se abrir para investimentos fora do setor de energia elétrica. A empresa está em fase de parceria com a iniciativa privada para entrar nas áreas de telefonia celular e construção de usinas hidro e termoelétricas. A formação e manutenção das parcerias só dependem da aprovação de um projeto de lei, que está em regime de votação na Assembléia. O projeto deve ser aprovado até o final desta semana e imediatamente sancionado pelo governador Jaime Lerner.
O presidente da Copel, Ingo Hubert, diz que a mudança da estrutura de investimentos da companhhia manterá a empresa competitiva. Na medida em que podemos participar de parcerias, estamos multiplicando a capacidade de investimento, declara Hubert. A abertura de capital da Copel aconteceu em 1994, mas só em 96 a empresa começou a participar do mercado de capitais. Hoje, nós participamos do mercado de ações e vamos à comunidade financeira internacional. Isso acrescenta renda, lucros e geração de caixa, afirma Hubert.
Se a Copel usasse apenas recursos próprios nos investimentos, a empresa teria de gastar R$ 3 bilhões, em 10 anos. Com a participação da iniciativa privada, a Copel vai dispender 20% do investimento e terá 100% da energia. Os outros 80% são da iniciativa privada. O total de recursos que a Copel passará a aplicar na geração de enegia será de R$ 600 milhões até 2007.
O tempo de construção também cai de 30 para 10 anos, caso haja a parceria com as empresas. A Copel tem uma tremenda capacidade de prestação de serviços, que não era aproveitada. Em parceria com outras empresas, nós podemos tirar proveito deste potencial, afirma Hubert.
Com um faturamento de R$ 1,4 bilhão no ano passado, a Copel é uma das subsidiárias do Sistema Eletrobras que tem apresentado os melhores resultados. O número positivo faz com que o governo descarte, pelo menos por enquanto, a possibilidade de privatizar a empresa.
A Copel vai mais além e já se credencia para adquirir parte de outras estatais do setor energético. A Copel é a única empresa brasileira a conseguir a pré-qualificação para o leilão de privatização da Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig). A Cemig está leiloando 40% de suas ações ordinárias.
A geração de energia da Copel, em 96, totalizou 18,6 mil megawatts. Deste total, 14,9 mil megawatts foram consumidos no Estado, o que representa 80,15%. O restante foi repassado para outros Estados.
Hoje, a empresa tem 25 projetos de investimentos em hidroelétricas, além da usina de Machadinho, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Copel participa da construção de Machadinho em um consórcio com a iniciativa privada.
Entre os novos investimentos da Copel, está ainda a exportação de tecnologia. A Copel vende seus serviços até para a China, onde a empresa paranaese participa da construção de uma usina hidrelétrina na província de Hubei.
Hoje, a Copel atende a 2,5 milhões de consumidores em todo o Estado. A energia chega tanto à zona urbana quanto ao campo, através do programa de eletrificação rural. E entre as metas da empresa está a redução do preço dos serviços. Nossa energia ficará cada vez mais barata, isto é uma das principais propostas da Copel, garante Hubert.
O presidente da Copel, assegura que só haverá investimento industrial no Estado, se houver o compromisso de redução da tarifa. Desde o Plano Real, as tarifas aumentaram 30%, enquanto a inflação ficou em cerca de 40%, no mesmo período. Neste ano, a tarifa de energia teve um reajuste de 9%. RAIO X
Setor: Energia
Faturamento:
- em 96: R$ 1,4 bilhões
Geração de energia em 96: 18,6 mil megawatts
Consumidores atendidos: 2,5 milhões
Funcionários: Não fornecido.


