de Curitiba
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) começa a se abrir para investimentos fora do setor de energia elétrica. A empresa está em fase de parceria com a iniciativa privada para entrar nas áreas de telefonia celular e construção de usinas hidro e termoelétricas. A formação e manutenção das parcerias só dependem da aprovação de um projeto de lei, que está em regime de votação na Assembléia. O projeto deve ser aprovado até o final desta semana e imediatamente sancionado pelo governador Jaime Lerner.
O presidente da Copel, Ingo Hubert, diz que a mudança da estrutura de investimentos da companhhia manterá a empresa competitiva. ‘‘Na medida em que podemos participar de parcerias, estamos multiplicando a capacidade de investimento’’, declara Hubert. A abertura de capital da Copel aconteceu em 1994, mas só em 96 a empresa começou a participar do mercado de capitais. ‘‘Hoje, nós participamos do mercado de ações e vamos à comunidade financeira internacional. Isso acrescenta renda, lucros e geração de caixa’’, afirma Hubert.
Se a Copel usasse apenas recursos próprios nos investimentos, a empresa teria de gastar R$ 3 bilhões, em 10 anos. Com a participação da iniciativa privada, a Copel vai dispender 20% do investimento e terá 100% da energia. Os outros 80% são da iniciativa privada. O total de recursos que a Copel passará a aplicar na geração de enegia será de R$ 600 milhões até 2007.
O tempo de construção também cai de 30 para 10 anos, caso haja a parceria com as empresas. ‘‘A Copel tem uma tremenda capacidade de prestação de serviços, que não era aproveitada. Em parceria com outras empresas, nós podemos tirar proveito deste potencial’’, afirma Hubert.
Com um faturamento de R$ 1,4 bilhão no ano passado, a Copel é uma das subsidiárias do Sistema Eletrobras que tem apresentado os melhores resultados. O número positivo faz com que o governo descarte, pelo menos por enquanto, a possibilidade de privatizar a empresa.
A Copel vai mais além e já se credencia para adquirir parte de outras estatais do setor energético. A Copel é a única empresa brasileira a conseguir a pré-qualificação para o leilão de privatização da Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig). A Cemig está leiloando 40% de suas ações ordinárias.
A geração de energia da Copel, em 96, totalizou 18,6 mil megawatts. Deste total, 14,9 mil megawatts foram consumidos no Estado, o que representa 80,15%. O restante foi repassado para outros Estados.
Hoje, a empresa tem 25 projetos de investimentos em hidroelétricas, além da usina de Machadinho, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Copel participa da construção de Machadinho em um consórcio com a iniciativa privada.
Entre os novos investimentos da Copel, está ainda a exportação de tecnologia. A Copel vende seus serviços até para a China, onde a empresa paranaese participa da construção de uma usina hidrelétrina na província de Hubei.
Hoje, a Copel atende a 2,5 milhões de consumidores em todo o Estado. A energia chega tanto à zona urbana quanto ao campo, através do programa de eletrificação rural. E entre as metas da empresa está a redução do preço dos serviços. ‘‘Nossa energia ficará cada vez mais barata, isto é uma das principais propostas da Copel’’, garante Hubert.
O presidente da Copel, assegura que só haverá investimento industrial no Estado, se houver o compromisso de redução da tarifa. Desde o Plano Real, as tarifas aumentaram 30%, enquanto a inflação ficou em cerca de 40%, no mesmo período. Neste ano, a tarifa de energia teve um reajuste de 9%. RAIO X
Setor: Energia
Faturamento:
- em 96: R$ 1,4 bilhões
Geração de energia em 96: 18,6 mil megawatts
Consumidores atendidos: 2,5 milhões
Funcionários: Não fornecido.

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