Atração de novos cursos mobiliza comunidade
Em 50 anos de vida, talvez Campo Mourão nunca tenha se mobilizado tanto como agora. O motivo é considerado essencial para o desenvolvimento de toda a região: a atração de novos cursos superiores. O movimento começou tímido e disperso há três anos quando a Faculdade Estadual de Ciências e Letras (Fecilcam) e o Grupo Educacional Integrado começaram a reivindicar mais cursos. Este ano, no entanto, a causa foi unida através da Agência de Desenvolvimento Cidade Pólo e a luta ganhou força.
A Associação Comercial e Industrial (Acicam) também entrou na briga e chegou a realizar reuniões sobre o assunto com mais de 40 entidades. Em meio às discussões, surgiu até a proposta de formação de um consórcio intermunicipal para o fortalecimento da Fecilcam. A primeira boa notícia para a instituição veio junto com a última visita do governador Jaime Lerner à cidade. Ele assinou protocolo de intenções para implantação dos cursos de Engenharia em Agroindústria e Matemática.
A assinatura foi feita na faculdade. O documento prevê um investimento de R$ 325 mil na construção de laboratórios de química, física e informática. São os primeiros passos. A expectativa da Fecilcam é que eles estejam em funcionamento já a partir do ano que vem. A segunda boa notícia veio da prefeitura, que abriu licitação para a compra dos equipamentos. Há boas chances dos cursos começaram já em 98, comemora a diretora Sinclair Pozza Casemiro.
O curso de Engenharia em Agroindústria é inédito no Paraná e funciona atualmente apenas na Universidade de São Carlos (SP). Com ele, o município espera se consolidar como pólo na industrialização de alimentos. Já o curso de Matemática visa a suprir uma deficiência de professores da área em escolas de 1º e 2º graus. Atualmente, a Fecilcam mantém os cursos de Administração de Empresas, Ciências Contábeis, Economia, Letras, Geografia e Pedagogia, além de 10 outros cursos de pós-graduação.
UniãoA mobilização pelos novos cursos fez surgir até um adesivo, da Universidade Regional. Mas a sugestão é para a Fecilcam ou para o Grupo Integrado? É para quem conseguir primeiro, ressalta o coordenador da AD Cidade Pólo, professor Jacó Gimenes. O importante é que a comunidade permaneça unida, uma vez que a luta é por uma causa só, justifica. A comissão que luta pelos novos cursos tem até padre entre os membros.
No Integrado, formado por 44 empresários, as boas notícias também começaram a chegar, depois de quatro anos de entraves burocráticos. No mês passado, o Conselho Federal de Educação deu sinal verde para 5 dos 11 cursos pedidos pelo grupo. Os outros 6 continuam em análise. O Integrado quer implantar os curso de Processamento de Dados, Direito, Engenharia Elétrica, Psicologia, Farmácia, Veterinária, Comércio Exterior, Matemática, Ciência da Computação, Agronomia e Relações Internacionais.
Dinheiro não falta. Mesmo antes da autorização do MEC, o grupo iniciou a construção de um prédio para os cursos. O investimento inicial é de R$ 1 milhão. A futura universidade, que pretende atrair 6 mil alunos, vai funcionar no centro da cidade, em anexo onde o Integrado mantém um colégio há 10 anos. Mesmo que a autorização chegasse hoje, o grupo teria condições de implantar três cursos de imediato. É que só no atual colégio existem 20 salas de aula ociosas durante a noite. (S.S)





