Dentro da entidade funciona a Escola de Educação Especial Pequeno Cotolengo onde estão matriculados 211 moradores. Os alunos são organizados em cinco níveis pedagógicos, do um ao cinco, de acordo com idade e desenvolvimento de aprendizado, como orienta a Secretaria de Estado de Educação. Há também Educação Infantil para os pequenos e Educação para Jovens e Adultos, à noite, apenas para 13 alunos que foram alfabetizados e selecionados por psicólogos, pedagoga e assistente social.
Cerca de 20 professores das redes estadual e municipal de ensino atuam na escola, atendendo dez alunos, no máximo, por turma. A proposta é desenvolver atividades que estimulem a percepção, a coordenação, a socialização, a comunicação, a habilidade e a movimentação fina e ampla, respeitando o tempo e os limites de cada aluno. As salas de aulas também são diferentes das escolas regulares, os alunos ficam sentados em volta de uma grande mesa, onde realizam trabalhos manuais, por exemplo, com massa de modelar, pinturas, gesso e madeira.
Parte dos alunos participam de atividades extra-curriculares, como o coro cênico musical, que em datas especiais se apresenta para a comunidade. Na escola, voluntários ajudam em sala de aula e nas oficinas de artesanato. "Venho aqui toda a sexta-feira, há dois meses. Colaboro no que for preciso, restauro materiais, ajudo em sala de aula, converso com os moradores. Eles ficam felizes com pequenas coisas que fazemos para eles. Só de vir aqui e eles te reconhecerem, te chamar pelo nome, torna tudo prazeroso", disse o estudante Guilherme Junkert, 19 anos.
Cinco moradores também trabalham na panificadora-escola da entidade. A produção diária de 600 pães, além de doces e salgadinhos é vendida para a comunidade e funcionários do Pequeno Cotolengo, garantindo a manutenção da panificadora. Toda doação de roupas, calçados, eletrodomésticos, eletrônicos e móveis passa por uma triagem. Parte será destinada pelos moradores, parte será vendida em bazares, cuja renda é revertida para a entidade, segundo a coordenadora dos voluntários, Viviane Lançoni.
"Aqui também funciona uma fábrica de fraldas descartáveis para a produção de 23 mil unidades, por mês, que são usadas pela maioria dos moradores. A fabricação envolve o trabalho de quase 100 voluntários", conta ela, há 28 anos voluntária no Pequeno Cotolengo. E a única que trabalha lá todos os dias. "O importante é ajudar da maneira e no tempo que puder. Pode vir apenas para passear, conversar e brincar com os moradores", sugere Viviane. (F.G.)

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