Atividades intelectuais preservam a memória
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sábado, 09 de julho de 2005
Simone Iwasso e Cláudia Ferraz<br>Agência Estado 
São Paulo - Na mitologia grega, as musas inspiradoras de filósofos, músicos, poetas e matemáticos são filhas de Mnemosine, a deusa da memória. Na medicina moderna, a relação simbólica ganha sentido e explicação científica. É consenso entre especialistas que as atividades intelectuais são a melhor maneira de preservar a memória.
Para evitar a perda gradual, comum com o avanço da idade, é preciso exercitar a mente. Para isso, vale aprender idiomas, praticar jogos, tocar instrumentos, pesquisar sobre algum assunto e ler bastante quanto mais melhor. ''Estudos mostram que quem exercita a mente tem menos problemas de memória. É um fator de prevenção, que mantêm ativas as conexões cerebrais'', afirma o neurologista Rubens José Gagliardi, vice-presidente do Departamento de Neurologia da Associação Paulista de Medicina.
''Se, durante a vida, a pessoa usou todas as possibilidades do cérebro, ela fez um maior número de sinapses e desenvolveu mais a massa de neurônio'', diz Fábio Nasri, da Clínica de Memória do Hospital Albert Einstein. Ele cita, como exemplo, um estudo feito em 1996 na Universidade de Kentucky, que comparou a capacidade mental de freiras na época a textos que elas escreveram 60 anos antes. As que usaram palavras mais elaboradas e sentenças com idéias ricas tornaram-se mais vigorosas na velhice. Freiras que desenvolveram Alzheimer fizeram redações simples.
Mas é preciso também combater os fatores que afetam a memória, explica Alberto de Macedo Soares, presidente da Sociedade de Geriatria de São Paulo. Entre eles estão distúrbios de sono, depressão, estresse e cansaço mental. Na parte física fazem parte distúrbios da tireóide, falta de vitamina B12 e doenças no fígado. Por isso, recomenda-se que, ao perceber lapsos constantes, a pessoa procure um médico. ''É importante diagnosticar Alzheimer cedo, porque hoje há remédios para estabilizar os prejuízos da doença.''
Tratamento
Mais temido, por ser irreversível, o Alzheimer é uma doença degenerativa, que avança lentamente e ainda não tem cura. As causas da doença não são totalmente conhecidas, sabe-se somente que há um fator familiar.
No entanto, a maioria dos problemas de memória tem tratamento. É o caso do engenheiro Henrique Hirschfeld, 77 anos, que começou a ter dificuldades há cinco anos ''Quando ia para Serra Negra, não me lembrava do nome de uma ponte pela qual sempre passava.'' Para relembrar, ele associou o nome da ponte a outro nome, uma técnica que aprendeu no médico.


