Atividade na rua tem seus riscos
Curitiba - O guardador de carros Alcides de Melo, 51 anos, não está nas ruas por opção, mas por falta de oportunidade no mercado de trabalho. O londrinense que chegou em Curitiba em 1976 encara a rotina de nove horas de trabalho informal já há 13 anos, quando perdeu seu emprego como garçom e não conseguiu outra colocação: ele acredita por causa da idade.
Além das dificuldades naturais de se trabalhar ao ar livre, enfrentando calor, frio e chuva, Melo diz que a maior adversidade de sua função é ter de enfrentar situações de risco para defender o patrimônio alheio. ''Quando percebo alguém tentando abrir um carro eu tenho que enfrentá-lo, pois esse é o meu trabalho''. Seu 'escritório' fica junto às áreas de estacionamento da Rua Emiliano Perneta. Como sempre trabalhou na região, tem clientes fiéis, contou ele.
Melo admite que se tivesse uma oferta de trabalho longe das ruas não pensaria duas vezes antes de abandonar o chapéu de palha, que o acompanha nos dias de sol forte.
O carteiro Francisco Zotto, 39 anos, está na profissão há apenas quatro meses: tempo suficiente para o convencer de que melhor seria uma atividade interna. Mas, mesmo não se sentindo totalmente satisfeito, ele reconhece que o emprego tem seu lado compensador. ''Não dá para reclamar. Em comparação à média do mercado, o salário é razoável e os Correios oferecem bastante benefícios'', ponderou.
Antes de ser admitido no último concurso dos Correios, Zotto trabalhava na área técnica de telefonia. ''Coincidentemente, também nas ruas. A diferença é que como carteiro não posso parar, mesmo que chova'', afirmou. Por dia, Zotto percorre, a pé, de sete a dez quilômetros. O trajeto é feito, em média, em duas horas e meia a três horas. O restante do expediente de oito horas é cumprido em ambiente fechado, longe do sol, da chuva e de um dos maiores inimigos dos carteiros: os cãezinhos de estimação.(A.L.)





