Curitiba - A convivência durante o Campeonato de Futebol, que se estende por todo o ano letivo, aproxima pais, alunos, ex-alunos, professores e funcionários do Colégio Marista Paranaense. ''Em outros lugares, quando chega a sexta-feira o aluno não quer nem saber do colégio. Aqui não. O pai conhece o professor que dá aula para o filho porque jogam juntos, o aluno que era mascote do time agora está jogando, os funcionários também jogam. Você aqui é chamado pelo nome'', observa Márcio Gubert de Oliveira, 34 anos, no grupo desde 1994.
Quem não é chamado pelo nome é porque já recebeu algum apelido. ''A interação é muito grande. Ao mesmo tempo que a criançada se diverte você se diverte muito. Em alguns sábados que eu não tinha jogo, vinha com meu filho desde cedo, almoçava aqui e ficava direto. Ele mesmo pede para almoçar aqui'', conta Mauricio Gulin, conhecido no grupo como Espantalho.
Os jogos acontecem sempre aos sábados à tarde e domingos pela manhã. No sábado, após o final das partidas boa parte dos jogadores continua reunida na sede do Clube de Pais e Ex-alunos para assistir a mais jogos de futebol transmitidos pela televisão. ''O pessoal não vai embora. Ficam reunidos até dez horas da noite'', afirma Eloir Trovão. ''São 180 pessoas comprometidas. Não falta gente para jogar, não dá WO. E ficam bravos quando chove'', completa Gulin. Em caso de chuva, os jogos são cancelados para preservar o gramado.
Segundo Oliveira, os integrantes se envolvem com a dinâmica do campeonato de tal forma que ninguém quer perder um só lance. ''Com o tempo cada atividade se torna imperdível para os participantes. A entrega das camisas, a escolha do time, a festa de lançamento, a premiação'', enumera o jogador e cronista. O comprometimento é tão grande que um dos pais de aluno chegou a cancelar a viagem comemorativa de dez anos de casamento porque seu time foi classificado para disputar a final do campeonato no próximo final de semana. ''Há dias a mulher não fala com ele'', comentam os colegas.
A procura para entrar no campeonato é grande, mais de 60 pessoas aguardam na lista de espera e patrocinadores também estão sempre dispostos a terem sua marca associada a uma das equipes. A renda proveniente dos patrocínios e da anuidade paga pelos sócios é usada para a confecção dos uniformes, a manutenção do gramado, a remuneração dos árbitros, além de custear a festa de abertura do campeonato e o baile de encerramento.
Para Oliveira, além de aproximar as pessoas, o futebol colabora para a formação de valores entre os jovens. ''Aprendem a respeitar os mais velhos, tocam a bola. E os mais velhos adoram porque se mantêm jovens'', ressalta. O regulamento é rígido quanto às normas de conduta dos jogadores dentro de campo. Quem desrespeita um colega ou o juiz pode ser suspenso por mais de um ano. ''Não podemos abrir exceções. Aqui acabou o jogo continua a amizade. O jogo é competitivo mas existe o respeito'', ressalta Oliveira.
As regras também são rigorosas quanto ao uniforme. Um par de meias pode valer o campeonato. ''Teve um time que perdeu o campeonato porque um dos jogadores veio com outra meia branca, que não era a do uniforme, e por isso a equipe dele perdeu pontos'', lembra Trovão. Ainda que a exigência seja grande, de acordo com os jogadores, quem entra para o grupo não sai. Mesmo recém-chegado, Gulin já coloca os jogos como prioridade em sua vida. ''Há sete meses tenho passado a semana trabalhando em Cascavel, mas não abro mão de voltar na sexta-feira para jogar no final de semana. Aqui você vem e desestressa, isso contribui para sua vida particular. Ganha bateria nova para o início da outra semana'', defende. (D.R.)

mockup