'Atividade é irregular mas pode ser regulamentada', diz promotor
O promotor da 1 Vara da Infância da Juvetude de Curitiba, Mário Luiz Ramidoff, pontua que o ofício de mãe-crecheira é irregular porque ela faz da atividade uma fonte de renda. ''O pecado é que elas cobram e por isso é preciso preencher os requisitos mínimos que é receber licença para trabalhar, vistoria da vigilância sanitária, acompanhamento de nutricionista, assistente social, etc. O universo infantil é uma mina de ouro, mas exige um serviço muito especializado'', explica ele, defendendo que as mães-crecheiras não devem ser punidas, mas vistas como parceiras.
O município deveria realizar audiências públicas para regulamentar a atividade e capacitar as mães-crecheiras e a prestação do serviço. ''É uma crise política que demanda esse tipo de organização social. A culpa é do poder público que não assegura creche para todos. É uma emergência social e uma saída criativa. As mães entregam voluntariamente seus filhos para estas pessoas cuidarem porque precisam. Que tal aproveitarmos essa alternativa para cuidar integralmente das crianças'', sugere o promotor.
Ramidoff acredita que o trabalho das mães-crecheiras deve ser voluntário, contanto que a Prefeitura subsidie cestas básicas para as famílias destas mulheres, por exemplo. O município deveria criar cooperativas e capacitá-las para que elas possam oferecer o atendimento mínino. Poderiam, inclusive, passar a ser chamadas de mães-sociais. ''As mães-crecheiras seriam responsáveis pelo preenchimento das cadernetas de vacinação, poderiam receber apoio de agentes de saúde, conselho tutelar, assistência social, nutricionista e educadores'', elenca o promotor.
''Mesmo que existam experiências anteriores que não deram certo, não podemos desistir de superar fracassos. Existe uma distância grande da realidade social e aquilo que o poder público consegue fazer. Temos uma crise de creches'', diz o promotor, orientando que antes de tudo é preciso que o município faça o levantamento de mães-crecheiras e a demanda de crianças que elas atendem. Segundo Ramidoff, a maior dificuldade de vagas é para as crianças mais novas, de 0 a 1 ano, ou mais velhas, de 4 a 5 anos. (F.G.)





