O músico Roger Vaz tem uma agenda repleta de músicos com os quais tem o acordo de poder ligar a qualquer hora do dia ou da noite. Se um músico fica doente, basta ligar que Vaz providencia um substituto. Esse é apenas um dos serviços 24 horas disponíveis na Capital. O leque de opções vai desde os mais comuns, como o chaveiro, até atendimento por telefone a mães em fase de amamentação, passando por restaurantes e clínicas odontológicas.
  Segundo Roger Vaz, a idéia do serviço 24 horas surgiu porque ele costumava atender pedidos de funerárias para tocar em velórios. ‘‘As funerárias eu sempre tive que atender 24 horas. Pensei então em fazer o mesmo para tudo e deu certo’’, conta. ‘‘O mais legal é que você não deixa o cara na mão. Se uma rave precisar de um DJ ao meio-dia eu faço’’, garante.
  Nos velórios, em geral, o músico vai acompanhado de um violino. ‘‘Raramente pedem alguém para cantar, mas já pediram uma harpa. A música alivia aquela carga de tensão’’, afirma Vaz, que presta o serviço há seis anos. ‘‘Custa menos que uma coroa de flores e todo mundo vai lembrar para o resto da vida’’, justifica.
  O cirurgião dentista Felipe Theodorovicz trabalha numa clínica que atende durante 24 horas há quatro décadas. Em geral, os pacientes são profissionais que trabalham à noite, como taxistas e funcionários da rede hoteleira. Já os casos de urgência são os responsáveis pelo maior volume de atendimentos a pacientes novos. O horário mais amplo permite, ainda, que os pacientes agendem suas consultas fora dos horários de maior trânsito. ‘‘O paciente não precisa pagar o Estar. E se ele tem que sair meia hora ou 40 minutos antes durante o dia, à noite ele sai 15 minutos antes’’, compara Theodorovicz, que é outro usuário de serviços madrugueiros. ‘‘Sempre saio de noite daqui. É quando vou ao mercado, à farmácia’’, conta o dentista.
  Theodorovicz também costuma indicar farmácias 24 horas a seus clientes atendidos durante a madrugada. ‘‘Tem atendimentos que precisam de medicamento em seguida para a manutenção. Tem que sair e já comprar, tendo (farmácia) 24 horas é bem mais rápido’’, explica.
  A dor de dente ou a emergência provocada por algum acidente também acontece com os animais. E em Curitiba alguns hospitais veterinários também cumprem o papel de não deixar seus pacientes sem assistência imediata.
  Médico veterinário e sócio de um hospital para animais fundado em 1968, João Alfredo Kleiner observa que a procura durante a noite vem crescendo não apenas em casos de emergência. ‘‘Tem gente que vem comprar ração à uma hora da manhã. Também procuram vacina. O pessoal troca o dia pela noite’’, afirma o médico. Há, inclusive, quem programe o atendimento do dia seguinte no meio da noite. ‘‘A pessoa liga às 3 horas da manhã para saber o preço de um procedimento’’, conta Kleiner, que vem observando um aumento mais acentuado do movimento noturno em seu hospital de quatro anos para cá.
  Há também os estabelecimentos que ofecerem opções variadas de refeições, acompanhadas de acesso à internet, espaço cultural, entre outros, a qualquer hora. Sócio de um espaço com esse perfil inaugurado há pouco mais de um mês, Rafael Felcar aposta nas diversas frentes de serviços para atrair um público cada vez maior. ‘‘Como nós, muitas pessoas trabalham em horários diferenciados e têm na madrugada um horário livre. Curitiba está numa fase em que a tendência é crescer muito. Uma mostra disso são os novos empreendimentos imobiliários. Com mais pessoas, há mais gente trabalhando em horários diferentes’’, avalia o empresário, que só faz compra no supermercado durante a madrugada.
  O espaço administrado por Felcar reúne padaria, adega e loja de vinhos, charutaria, livraria, bar, cyber café, espaço cultural, revistaria, culinária japonesa e restaurante a la carte. A variedade de ambientes do local atrai as pessoas também para reuniões profissionais. É o caso dos designers Marcela Martins e André Casagrande. ‘‘Ajuda bastante. Às vezes ficar em casa trancado não dá muito certo. Hoje a gente tinha a opção de ir para o escritório e viemos pra cᒒ, afirma Casagrande.
  Mas manter as portas abertas em tempo integral exige uma dose extra de disciplina, alerta Felcar. ‘‘A equipe tem que estar bem

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