Quase 64 anos de matrimônio e muita, muita história para contar. Josefa Bushe Bathke, 84 anos, e Orlando Guilherme Bathke, 91, moradores de Balsa Nova, município da Região Metropolitana de Curitiba, calculam os frutos da união: cinco filhos, 15 netos e seis bisnetos. ''O segredo é o amor, fé em Deus e ser sempre honesto um com outro. O nosso casamento é o mais antigo e duradouro da cidade'', brinca a simpática Josefa Bushe, sentada na sua cozinha, local mais quentinho da casa graças ao fogão à lenha.
Descendentes de poloneses, assim como quase toda a cidade que tem cerca de 12 mil habitantes, os dois se casaram ''às pressas'' em junho de 1943, para que Orlando não fosse convocado para a Segunda Guerra Mundial. ''Eu queria fugir da guerra. Então me casei e fui trabalhar na plantação de eucalipto da rede ferroviária, em Porto Amazonas'', conta Orlando, que depois voltou para Balsa Nova, onde trabalhou na lavoura e puxando carroça, até que criou sua própria olaria. ''Imagine que eu puxava a carroça com os burrinhos por quatro horas para transportar lenha. A vida era muito difícil antigamente'', compara ele.
O casamento aconteceu na Paróquia Bom Jesus, época em que a edificação ainda era de madeira. ''A festa foi pequena, só para família e vizinhos. Mas casei de véu e grinalda'', lembra Josefa. ''Aqui não tinha fotógrafo, então fomos no dia seguinte a Curitiba para tirar fotos. Tive que colocar novamente o vestido e me arrumar toda'', completa a senhora, dando risadas e mostrando a foto do casório no álbum. Logo em 1945, veio o primeiro filho. ''A família foi crescendo e isso ajudou o casamento. Nós sempre vivemos bem, mas tivemos algumas briguinhas por causa de temperamentos diferentes'', confessa Josefa.
''No começo do casamento, ele reclamava da minha comida, dizia que faltava sal, porque era acostumado a comida da mãe dele que era muito salgada. Já o meu pai era doente e não podia comer muito sal, então eu fazia a comida com pouco sal mesmo'', lembra ela. ''Então eu chorava toda vez que ele reclamava, até que um dia ele ficou doente dos rins e o médico proibiu o sal. Dei graças a Deus. Uns tempos depois, ele foi comer na casa da mãe dele, e voltou reclamando que a comida dela era muito salgada. Eu adorei'', revela a divertida Josefa.
O casal que não deixou ''passar em branco'' as comemorações das Bodas de Prata e de Ouro, comenta que quase não existe separação ou divórcio legal em Balsa Nova. ''Quando alguém se separa, todo mundo fica sabendo, em cidade pequena é assim. Mas geralmente só deixam de morar na mesma casa. Depois até voltam a morar juntos de novo'', explica Josefa Bathke. ''Acho que nos últimos tempos só o meu filho se separou''. disse.
De 2000 até a primeira semana de junho deste ano, foram realizados 528 casamentos em Balsa Nova, segundo os dois cartórios da cidade. Eles não souberam informar o número de separações oficiais, mas a página da prefeitura na Internet observa que no ano 2000 não foi registrado nenhum divórcio.
''Casamento abençoado por Deus é para vida inteira. Tem que ser até que a morte nos separe mesmo. Devemos cuidar um do outro até na velhice'', afirma Josefa Bathke, olhando carinhosamento para o marido, Orlando.

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