Ataques na campanha e apoio popular na gestão
Por bocas maledicentes, por mãos ocultas, que não se pêjam (sic) em disseminar a falsidade, através de panfletos e papeluchos, estão êles (sic) dizendo e divulgando a infâmia de que sou comunista. Mas a mentira, a torpeza e o engano se desfazem e se diluem diante dos fatos e da verdade. As palavras são parte de um discurso escrito por Milton Menezes durante sua primeira campanha para prefeito em 1951. Foi a resposta dele para aquele que foi, aparentemente, um dos poucos episódios tumultuados de sua história política.
Suas filhas, Ana Rosa e Maria Salete, guardaram intacto o discurso datilografado em cinco páginas, em que o ex-prefeito se defendia dos ataques dos opositores, que acusavam a ele militante de um dos partidos tidos como mais direitistas da história, a UDN de ser simpatizante ao comunismo. Uma mentira, uma invenção dos adversários, garantem as filhas.
Em outro documento guardado pela família, o ex-presidente da Liga Eleitoral Católica de Londrina, Ivan Luz, expressa com frases inflamadas seu apoio a Menezes, com respaldo do Partido de Representação Popular (PRP): O comunismo é para nós, cristãos em geral e católicos em particular, porque é a Igreja que mais tem sangrado nas mãos dos sectários stalinistas, a forma atual e materializada do diabolismo em ação, diz uma passagem.
Se a primeira candidatura foi marcada por intrigas, a administração seguiu tranqüilamente, garantem ex-funcionários de Menezes. No período em que eu estava lá, era tudo feito com muita harmonia. Acho que é por isso que Londrina progrediu, as pessoas tinham amor pelo que faziam. Os vereadores, por exemplo, trabalhavam de graça. Quer mais solidariedade do que isso?, lembra Gueomar Moreira, oficial de gabinete na época e esposa de outro ex-prefeito, Wilson Moreira. Ela já ocupava o cargo de confiança em 1951, pouco antes da saída de Hugo Cabral da prefeitura, e permaneceu a pedido do próprio Menezes.
O secretário-geral durante as gestões de Menezes e do ex-prefeito José Hosken de Novaes, Severiano Alves Pereira, ressalta que os dois administradores tinham condições de levar projetos adiante de forma tranqüila porque tinham apoio da população. Quando houve a geada negra, o Menezes emitiu debêntures da prefeitura para superar a crise, e o povo comprou em confiança. Tudo foi resgatado, posteriormente. Na administração de Hosken de Novaes, a criação da Sercomtel se deu graças à subscrição popular. O povo confiava em seus administradores, o que não acontece mais. (V.N.)





