No Centro de Integração do Idoso São Vicente de Paulo, das 163 idosas residentes apenas dez ainda recebem atenção da família. Grande parte das internas foi maltratada por familiares antes de serem abandonadas. ''A família delas somos nós. Às vezes, mesmo em caso de óbito não querem nem saber delas. Dizem: 'enterra'. E nós temos que nos virar'', conta o padre José Aparecido Pinto, superintendente do asilo.
Parte do orçamento do São Vicente de Paulo (60%) é custeado por recursos dos governos federal, estadual e municipal, além dos benefícios de parte das internas. Os outros 40% são recursos próprios, adquiridos por meio de campanhas e doações. A maior parte das idosas que vivem ali é de origem pobre. ''Muitas estão há 50 anos na casa porque quando têm familiares, estes não têm como mantê-las em casa'', explica o superintendente.
A assistente social do São Vicente de Paulo, Maria Pereira dos Santos, alerta que as famílias devem estar atentas para as condições dos asilos para os quais encaminham seus entes queridos. ''Não adianta tirar de casa e levar para uma instituição onde ele vai regredir'', alerta. De acordo com a psicóloga Franceli Fernandes, é preciso estimular a autonomia e a independência o máximo possível. No caso dos asilos deve haver uma gama de estímulos e atividades. ''Não pode ser um depósito de velhos'', explica. E o cuidado também vale para os idosos que moram em casa. ''Às vezes, eles são isolados ou vivem em conflito com a família'', observa a psicóloga.
Dozalina Strapação Leonardo, de 86 anos, é um exemplo de autononia. Ela escolheu morar no asilo porque lá sente-se mais à vontade, e quando tem saudade da família pega três ônibus sozinha até Santa Felicidade para visitar os filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Para Dozalina alcançar a velhice é ''uma graça de Deus''. ''Mas eu não queria morrer por causa dos parentes. Não queria deixar minha gente porque eles me querem muito bem'', explica. (D.R.)

mockup