Desde que o asfalto chegou a Cerro Azul - município vizinho de Doutor Ulysses -, há três anos, a vida dos 16,5 mil habitantes da cidade mudou, e para melhor. No entanto, o tempo difícil de poeira deixou sequelas. Tendo a produção de poncãs e laranjas como carro-chefe da economia, o município viu muitos produtores desistirem das lavouras pela impossibilidade de transportar as frutas. A produção de cítricos, que chegou a 14 milhões de caixas de 30 quilos, hoje não passa de 6,5 milhões de caixas.
''Por causa da falta de estrada, nossos agricultores foram perdendo o estímulo. Chegou a acontecer de produtor ter de jogar caixas e caixas de frutas na estrada devido à impossibilidade de trafegar. Quando chovia, nenhum caminhão conseguia sair de Cerro Azul. Temos 2,4 mil produtores, 70% de nossa população está na Zona Rural e, infelizmente, muitos desistiram das frutas, transformando o pomar em pasto ou em pinus, culturas que não geram tantos empregos quanto os cítricos'', lamenta José Nunes, assessor de comunicação da cidade.
Porém, com a pavimentação muitos voltam a acreditar nas poncãs e laranjas novamente. Segundo Nunes, a procura de mudas nos viveiros da cidade só aumenta e a área de plantação das frutas está crescendo.
É o caso de Eusmar de Paula Pereira, que há mais de três décadas cultiva poncãs na cidade. ''O asfalto estimula o produtor. Eu havia colocado o gado em cima de 25 alqueires onde plantava poncãs. Agora, volto a investir nas frutas. Fiz um replante de 3 mil pés e plantei outras seis mil mudas em uma área de pastagem. Só de saber que as frutas não vão 'batendo' na estrada até Curitiba já é um alívio'', diz Pereira.
Agora, o desafio da prefeitura de Cerro Azul é manter em boas condições de tráfego os 2 mil km de estradas vicinais do município. ''Só temos quatro máquinas velhas para dar conta desse serviço'', desabafa o assessor de comunicação.
O asfalto também melhorou a vida dos comerciantes da cidade. ''Foi a mudança do inferno para o céu'', sintetiza Roque Lorenski, professor e dono de um restaurante. ''Muitas vezes as pessoas saíam de Curitiba para vir até aqui e desistiam no meio do caminho. Quando chovia, ninguém entrava nem saía de Cerro Azul'', recorda o comerciante, sem demonstrar saudades.(W.S.)

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