Às vezes não é necessário largar tudo, mas um pouco
Às vezes, a revolução não é largar tudo, mas um pouco. Para ter sua filha Sophia, que está com 5 meses, a arquiteta Sandra Picciotto, de 32 anos, abriu mão das 12 horas de trabalho diário. Aproveitou o momento em que se separou da sócia para reavaliar sua rotina diária. ''Percebi que o trabalho estava controlando minha vida, eu estava no piloto automático.''
Sandra sempre quis ter filhos, mas nunca havia achado um momento propício como aquele em que tomou as rédeas de sua vida. Então, abriu mão do trabalho no mercado imobiliário, que lhe exigia um pique ininterrupto para cumprir prazos apertados, e partiu para projetos residenciais, um ramo mais flexível.
''Tive um estresse interno no começo. Parecia que eu estava andando para trás.'' Depois de um trabalho de equilíbrio de corpo e mente, ela percebeu que a mudança era sensata, e se permitiu até diminuir o ritmo de malhação. ''Deixei a preguiça se instalar'', brinca. A princípio, trabalhava em casa, mas optou por um escritório a cinco minutos da sua residência.
Na opinião do terapeuta francês Antoine Stauder, antes de mudar de vida, a pessoa precisa saber o que quer. ''A maioria não sabe, ou faz o que os pais, professores, presidentes, leis, costumes e hábitos mandam'', metralha. ''Quem muda tem confiança na vida, não tem medo.'' Bastante entendido no assunto, ele é autor do ''Manual do Bem-Viver'' (Editora Ágora) e também deu uma virada na própria vida.
Era arquiteto, decidiu estudar medicina oriental e outras vertentes terapêuticas para cuidar de pessoas. Além disso, deixou um confortável emprego de professor na França para fazer uma viagem de mais de um ano em um trailer pela América Latina, ao lado de ''uma corajosa mulher chilena''. Hoje, mora no Brasil, onde ensina técnicas terapêuticas e holísticas para formar professores. ''Para começar uma mudança, primeiro, é preciso imaginá-la. É necessário fazer uma simulação, testar várias configurações, ver o que funciona. Toque música, pinte quadros, escreva sem regras, conte seu projeto ao seu amigo ou ao confidente'', recomenda.(A.E.)





