Em sua casinha de madeira bastante maltratada pelo tempo, à beira da Rua Eduardo Sprada, na Vila São José, no extremo Sul de Curitiba, o pedreiro Antonio Frisato, de 64 anos, não está nem um pouco preocupado com as mudanças recentes na pracinha do Batel, que tanta polêmica causaram naquele bairro. Ele se diz satisfeito, no entanto, com as mudanças que a modernidade trouxe à sua vida.
  ‘‘Ah, aqui melhorou muito, antes só tinha um ônibus para cá, agora tem sete linhas. Aqui pra cima (aponta com a mão a rua ao lado) era só capoeira, hoje tem uma vila, vários mercados’’, diz ele, que mora no último trecho da Rua Eduardo Sprada, feita de paralelepípedos, a poucos metros do Parque Municipal do Passaúna, quando Curitiba faz divisa com o município de Campo Largo.
  Apesar de viver alheio ao cotidiano do Batel, as mudanças na vida de Antonio estão, sim, ligadas ao desenvolvimento daquele bairro e o motivo é exatamente a rua onde mora. Afinal, a Rua Eduardo Sprada faz parte de um mesmo caminho, que vem desde o bairro Cristo Rei, no outro lado de Curitiba, passa pelo Alto da Rua XV, pelo Centro, depois segue em direção ao Batel, Seminário, Campo Comprido, corta a Cidade Industrial de Curitiba até terminar no Passaúna, exatamente na ponte sobre a represa, no bairro Augusta. Dali para frente, o caminho continua, mas aí a rua já faz parte de Campo Largo.
  Em todo esse trajeto, o caminho recebe nove nomes de ruas diferentes. Começa na Vila Augusta, depois do Campo Comprido, como Eduardo Sprada, nome que reina em 8.775 metros até o Seminário. Ali, depois da ponte sobre o rio Iguaçu, torna-se Avenida Nossa Senhora Aparecida. São 1.890 metros até o cruzamento com a Rua Mário Tourinho.
  Daí para frente, outros nomes de ruas se sucedem em trechos pequenos: Rua Bispo Dom José, com 915 metros, até a Praça do Batel; Avenida do Batel, 885 metros, até a Rua Ângelo Sampaio; Rua Benjamin Lins, com 580 metros, até a Rua Desembargador Motta; Rua Doutor Pedrosa, seu menor trecho, de apenas 510 metros, até a Praça Rui Barbosa; Rua André de Barros, com 955 metros, até a esquina da Rua Conselheiro Laurindo; Rua Nilo Cairo, com 680 metros, até a Rua Ubaldino do Amaral; e, por último, já no bairro Cristo Rei, como Rua Senador Souza Naves, tem 1.885 metros e termina no encontro com a Avenida Marechal Castelo Branco.
  Ao todo, são 17 quilômetros e 75 metros que passam por oito bairros, de Norte a Sul. E isso sem contar a Rua Gonçalves Dias, que corre paralela à Bispo Dom José, no Batel, começando em uma bifurcação no caminho, escoando o trânsito em um dos sentidos.
  Pesquisando a história das ruas, descobre-se que parte desse trajeto faz parte da antiga ‘‘Estrada do Mato Grosso’’, caminho para os viajantes que íam para os Campos Gerais e ao Norte do Estado. Sim, a sofisticada Batel, no século 18, serviu como caminho dos tropeiros. Ela seguia pela Rua Comendador Araújo, Avenida do Batel, Bispo Dom José e seguia rumo aos Campos Gerais pela atual Eduardo Sprada.
  Justamente por ser caminho, a área do Batel acabou se transformando em predominantemente comercial pelos idos de 1910, com o desenvolvimento da produção de madeira e de erva-mate. Ali estavam instaladas duas usinas de beneficiamento de erva-mate, fábricas de sabão, perfumaria, duas cervejarias, entre outras indústrias. Resquícios desse tempo de riqueza são os inúmeros casarões e castelinhos que resistem ao tempo e contribuem de maneira significante dar fama ao bairro chique.

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