Para muita gente, torcidas organizadas são sinônimo de violência, tumulto, diversão estragada. Para outros, elas representam fidelidade, paixão, incentivo ao time. Independente de qual visão a pessoa tenha sobre as organizadas, a verdade é que em Curitiba as vozes que condenam as torcidas já foram mais numerosas e enfáticas.
Leandro Biscaia, primeiro secretário da Fúria Independente, a principal torcida organizada do Paraná Clube (cerca de 10 mil associados, segundo o secretário), acredita que o ‘‘preconceito’’ está diminuindo.
‘‘Nossa postura contra a violência aumentou muito o nosso público e a venda de produtos da torcida. Até crianças e senhores fazem parte da Fúria Independente. Nós não cantamos letras que pregam violência contra torcidas rivais. Mas a própria imprensa em muitos casos não nos dá espaço. Mostram a violência das torcidas de São Paulo, Rio e Belo Horizonte, mas em Curitiba a situação é completamente diferente. Estamos sempre fazendo reuniões antes dos clássicos para que não haja problemas. Há sete, oito anos não ocorrem incidentes sérios envolvendo organizadas aqui. Existem ainda brigas, em terminais de ônibus, por exemplo, longe do estádio. Aí é uma questão de segurança pública’’, argumenta Biscaia.
Em Curitiba, as maiores torcidas organizadas do Paraná Clube (Fúria), Coritiba (Império Alviverde) e Atlético (Fanáticos) se tornaram marcas quase tão conhecidas quanto os próprios clubes. O merchandising delas chega a concorrer com o dos times. ‘‘Muitos torcedores acham nossa loja melhor do que a do Coxa’’, diz Luiz Fernando Correa, o Papagaio, presidente da Império.
Ele explica que a organizada, fundada em 1977, teve que adotar uma postura mais profissional há alguns anos para se manter. ‘‘Quando assumimos a Império, fizemos uma reunião geral. Nós tínhamos dois caminhos: ou organizávamos a torcida ou partíamos para o perfil de gangue. Decidimos nos organizar’’, relata Papagaio.
O presidente da Império aponta que a venda de produtos (camisas, calças, bonés, entre outros itens) hoje é a principal fonte de recursos da torcida. Com sede e loja próprias, a Império agora deve cobrar mensalidade dos associados (o número não foi informado: os integrantes estão sendo recadastrados) para manter uma chácara, como espaço de confraternização.
A Fúria Independente e a Fanáticos também têm como principal fonte de renda a venda de produtos. O advogado Juliano Rodrigues, vice-presidente da Fanáticos, aponta que poucos dos cerca de 20 mil membros cadastrados pagam mensalidade em dia.
Rodrigues também acredita que a visão que a maior parte da população tem das organizadas mudou. ‘‘As pessoas estão vendo o trabalho que é feito. Mas às vezes as torcidas de Curitiba ainda pagam pelas ações negativas das organizadas do eixo Rio-São Paulo’’, explica.

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