As seguidoras de Alzira
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
É uma atividade física. É também uma dança. Mas, ao assistir mulheres diversas praticando o "pole dance" - ou dança do mastro - não há como esquecer da imagem daquelas garotas de boate usando o aparato com trajes, expressões faciais e corporais extremamente sensuais.
Desde que a personagem "Alzira", de Flávia Alessandra, na novela "Duas Caras", exibida neste ano na Rede Globo, mostrou aos brasileiros suas habilidades com o mastro, nomeado Queijo, a dança ganhou, no mínimo, a curiosidade de muitas mulheres.
Em Curitiba, desde março existe um estúdio voltado apenas para o ensino do "pole" e a procura é grande - 50 alunas fixas e outras esporádicas dedicam algumas horas semanais para aprender as acrobacias e passos ao redor do poste.
De acordo com a proprietária do estúdio e instrutora da dança, Grazzy Brugner, suas alunas são de idades, tipos físicos e personalidades variadas. "As aulas são para maiores de 18 anos e minha aluna mais velha tem 57. Tenho aluna magrinha, fofinha, empresária, dentista, professora, advogada. Tem até três mães que já me pediram para abrir uma turma só para crianças, mais como entretenimento", conta.
As alunas regulares fazem duas aulas de 45 minutos por semana ou uma aula de 1h30 aos sábados. Elas buscam o condicionamento físico, tonificação muscular e evolução nas acrobacias. "São três níveis de dificuldade. As minhas alunas mais antigas, que fazem aula há sete meses, já atingiram o terceiro nível", explica.
Outras mulheres procuram apenas para aprender uma coreografia e apresentá-la para o marido ou namorado. Neste caso, o treinamento é feito em cinco encontros de uma hora, para ensaiar uma música de cerca de três minutos.
Mas, apesar das aulas serem feitas com vestimentas de academia - short e camiseta ou colant - a maioria das alunas não vê a hora de colocar uma roupa mais ousada e um salto plataforma para ensair uma coreografia sensual. É o caso da empresária Silvana Neitzke, 32 anos, que, apesar de praticar há apenas um mês e meio o pole, já comprou uma sandália vermelha salto 12 centímetros.
"É uma dança ousada que ajuda a me soltar até em outros ambientes. Atualmente estou sem namorado, mas gostaria de fazer uma apresentação particular com o que aprendi", conta. Mesmo com pouco tempo de treino, ela garante que já sentiu diferença no corpo, com braços mais definidos e menos dor na hora de praticar os exercícios.
Segundo Grazzy, o pole trabalha de forma isométrica, com muita força de braço e de abdome. Em uma única aula, dependendo do metabolismo e esforço do aluno, é possível queimar até 400 calorias. Mas ela adverte: para quem não está habituado com exercícios físicos, o cansaço pode ser intenso.


