As prioridades de quem compra casa pronta
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quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Juliana Gonçalves<br>Especial para a FOLHA 

Comprar pronta ou construir? Esse é o principal dilema para muita gente na hora de ter uma casa. As duas possibilidades oferecem prós e contras. A construção possibilita ter um imóvel novo em folha, com a distribuição do espaço mais adequada às próprias necessidades e com menor custo. Mas nem todo mundo tem tempo e paciência para isso. Essas pessoas nem sempre vão encontrar a casa que coincide perfeitamente com seus critérios, por isso, priorizam algumas características no imóvel, que variam bastante de comprador para comprador.
"Não é muito fácil um cliente encontrar aquela casa que tem todas as características que ele gostaria. Então, eles acabam dando prioridade para o que é mais importante para a família", conta o diretor de vendas da imobiliária Raul Fulgêncio, José Ioner Zanoni Junior. O valor, se não sempre, na maioria das vezes é o primeiro filtro aplicado pelo comprador. "O imóvel pode ter tudo o que ele procura, mas se estiver acima do valor que ele está disposto a pagar, ele não vai comprar", afirma.
A localização também é um critério importante, priorizado por muita gente que procura um lugar para chamar de seu, e está diretamente ligado ao critério anterior. Em Londrina, segundo o corretor da imobiliária Santamérica, Claudecir Micarelli, a Gleba Palhano é a região mais procurada atualmente. "Até por ser a região com mais oferta de imóveis, mas também tem quem prioriza o centro, pela praticidade, para fugir do trânsito da Gleba", afirma. Há ainda os que priorizam imóveis em regiões específicas, onde trabalham, próximo à escola dos filhos, onde se concentra a rotina da família.
A partir daí, são as características internas do imóvel que entram em questão. Para alguns, a prioridade é o número de suítes, para outro é o closet, a banheira, a piscina. "A área de lazer tem sido a prioridade de grande parte dos compradores, com piscina, espaço gourmet. Eles querem ter liberdade para receber os amigos e o clima aqui em Londrina favorece muito isso", argumenta Zanoni.
Mas ninguém escolhe uma casa com espaços mal distribuídos só porque ela tem uma boa área de lazer. "O fator predominante é o desenho da casa, a arquitetura agradável, que permita a circulação do ar e boa iluminação", afirma o diretor de vendas da Raul Fulgêncio. Alguns dão preferência a sobrados às vezes, com quarto no térreo, por conta de algum idoso na família , outros só aceitam imóveis térreos e outros dão mais importância ao número de suítes. "Cada comprador tem necessidades específicas na família e é isso que baliza as prioridades na escolha da casa", explica.
Uma casa com comprador garantido, segundo ele, é uma casa com uma boa arquitetura, área de lazer e acabamentos mais neutros. "Esse é o tipo de imóvel que agrada a maioria, é mais universal. Se tiver três suítes, é ainda mais fácil de vender", acrescenta Zanoni Junior.
REFORMA
A advogada Alifrancy Accorsi morava num apartamento muito bom e espaçoso, mas o sonho dela era mesmo ter uma casa. "Eu gosto de casa, grama, árvore", justifica. Para não ter de abrir mão da segurança que tinha no apartamento, decidiu que essa casa deveria estar num condomínio horizontal. "Eu encontrei uma casa num condomínio pequeno, com estrutura boa, mas estava bem detonada", conta.
Mesmo tendo encontrado imóveis mais novos e mais conservados, Alifrancy achou que, com uma reforma, aquela casa deteriorada atenderia melhor seus critérios. "A reforma foi mais para deixar a casa com a minha cara. Ela já tinha uma proposta que gostamos, com acabamentos em madeira e pedra. Então, trocamos piso, cores, peças de banheiro", conta a advogada.
E enquanto profissionais do setor imobiliário frequentemente recebem clientes cuja prioridade no imóvel é a piscina, Alifrancy seguiu na contramão. "Tinha uma piscina antiga nessa casa, mas eu tenho filhos pequenos, por isso, achamos mais seguro aterrar", justifica.


