Manaus (AM) - O capitão de corveta Ricardo Lhamas Guastini, comandante do Navio de Assistência Hospitalar Carlos Chagas, decidiu ir para a Amazônia travar um combate pela vida. ''Aqui temos a intenção de fazermos a diferença, vendo a situação que a população ribeirinha se encontra e podendo de alguma forma colocar um tijolinho nesse muro pela saúde deles.''
Para chegar até os lugarejos isolados é preciso enfrentar rios de navegação arriscada. O percurso acompanhado pela FOLHA é considerado o mais perigoso e traiçoeiro de toda bacia amazônica. ''O Rio Madeira é traiçoeiro pela quantidade de pedras, que são fixas, e pela quantidade de bancos de areia, que mudam de posição. Em 2008, o navio fez a navegação por determinada margem, e este ano, na mesma altura do rio, o canal está diferente.''
A tensão no passadiço (sala de comando do navio) era constante. Os alertas do sonar indicavam profundidade de um metro abaixo da quilha da embarcação. A possibilidade de encalhar é constante e a velocidade, reduzida ao mínimo.
As embarcações vão se ajudando via rádio. Durante a noite a única referência são os radares e um holofote. Navega-se sem enxergar um palmo à frente. A escuridão na sala de comando só é quebrada pela luz vermelha pontuada sobre as cartas náuticas. A passagem do trecho mais temido do Madeira, o ''tira fogo'', foi comemorado nos fonogramas do navio no despertar da tripulação.
Com um helicóptero embarcado, são altos os riscos de voar numa região coberta por mata fechada, com árvores chegando a 50 metros de altura, cercada por rios. O piloto, capitão-tenente Marcelo do Rego Silva, 34, acostumado a pilotar helicópteros a bordo de fragatas em alto mar, revela as preocupações de se operar aeronaves de asa rotativa na selva. ''Aqui os riscos são maiores. Na Amazônia só temos alguns lugares de pouso nessa época onde o rio está seco, pois quando o rio está cheio não há lugar para pousar.'' (S.R.)
* Confira na FOLHA2 ensaio fotográfico sobre o trabalho da Marinha na Amazônia.

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