As malas de Danuza
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Folhapress 
Danuza Leão, moradora do Rio, não costuma passar mais do que dois dias em São Paulo a cada vez que vai à cidade, em geral a trabalho. Quebrou a regra neste ano, quando enfrentou a ponte aérea para fazer turismo, e descobriu: sem trânsito, com restaurantes mais vazios, ''São Paulo na Semana Santa é o paraíso''.
O relato está em ''De Malas Prontas'', que a colunista da Folha de S. Paulo lançou no início do mês. Misto de crônicas de viagem com dicas de turismo, o livro narra as experiências de Danuza também em Buenos Aires, Londres e Berlim - assim como ela já havia feito em 2008, em ''Fazendo as Malas'', ao falar sobre Paris, Sevilha, Lisboa e Roma.
É claro que não se pode esperar de Danuza nada do que se leria em um guia comum. Ao chegar a São Paulo, ela descreve a peregrinação por hotéis até encontrar o que mais lhe agrada - incluindo uma passagem pelo Emiliano, onde a opção de regular a temperatura da tábua do vaso sanitário a deixa preocupada em sair ''toda queimada, sem poder sentar durante meses'', e uma fuga do Unique, ''tão moderninho, as pessoas tão jovens, a música tão modernamente insuportável'' que a faz ficar ''com medo de que um vampiro ou um morcego'' a ataque.
Seus passeios também a levam do luxo do shopping Cidade Jardim às lojas populares, apinhadas de gente, da Rua 25 de Março. ''Tenho cabeça de rico de um lado e cabeça de pobre de outro. Gosto de programas chiques e outros bem modestos. O que me chateia é programa ''médio', sabe?''
Danuza compara a noite paulistana com a agitada vida noturna de Berlim (''Não há nada mais parecido''). Acha as baladas berlinenses ''uma coisa alucinante'', mas discorda, do seu jeito, de quem tem adoração pela cidade alemã. ''Ok, é interessante, mas uma vez na vida chega.'' Interessa-se mais por detalhes culturais que por pontos turísticos badalados.
Em Buenos Aires, por exemplo, fica mais impressionada com a ''elegância de cair o queixo'' dos homens que frequentam os restaurantes de Puerto Madero. O lugar, ela escreve, é uma ''coisa sem muita graça, para turistas não muito exigentes''.
E não se importa com a ideia de que algumas opiniões possam atiçar ânimos mais tradicionais. ''Sou honesta em relação ao que gosto e ao que não gosto. O livro não é um guia. É a minha São Paulo, a minha Buenos Aires, a minha Londres'', resume Danuza. (AE).


