As experiências do intercâmbio estudantil
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Tatiane Salvatico<br>especial para a FOLHA 

Fluência em outro idioma, vivência em um novo país e preparação para a vida acadêmica. Esses são alguns dos motivos que fazem do intercâmbio na idade escolar um grande atrativo para os adolescentes. Só no ano passado, 160 mil brasileiros foram para fora do País estudar, um número que cresce cerca de 10% a cada ano, de acordo com a Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais (Belta). A fluência na língua inglesa é a principal objetivo dos jovens brasileiros que fazem do Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Austrália os destinos mais buscados por quem se aventura no exterior.
Para preparar os alunos para essa aventura, o Colégio Maxi, de Londrina, oferece a opção de High School a partir do 9º ano do Ensino Fundamental ou da 1ª série do Ensino Médio. No contraturno escolar, os alunos que optarem por também estudar disciplinas do currículo das escolas norte-americanas terão aulas de oratória, política, economia, história, literatura e redação, ministradas por professores nativos da língua inglesa. O programa é uma parceria do colégio com a Universidade do Missouri, que certifica que o conteúdo estudado pelo aluno na escola em Londrina será aceito pelas instituições dos Estados Unidos. O colégio, segundo seu departamento de marketing, é um dos poucos do Brasil a emitir esse tipo de certificado.
Para quem deseja ter a experiência in loco, uma das opções mais tradicionais para tornar o sonho realidade é buscar agências de turismo especializadas em programas de intercâmbio. É o caso da Egali Intercâmbio. De acordo com Marília Florisbal, do marketing da empresa, o estudante e a família que buscam as agências querem tranquilidade para resolver todas as questões burocráticas relacionadas ao período de intercâmbio, desde a escolha da escola, matrículas, moradia, passagens e, quando necessário, o visto para realizar os estudos no país escolhido.
Ela explica que é importante que quem deseja estudar fora tenha consciência de que há um processo burocrático a ser realizado antes de se iniciar efetivamente os estudos. Por isso, é necessário que o aluno e seus pais procurem as agências com pelo menos seis meses de antecedência. "Dependendo do país, você precisa ter mais tempo ou menos tempo antes do intercâmbio para começar a se preparar. Por exemplo, se o destino envolver uma aplicação do visto esse processo é mais demorado, o tipo de visto influencia nesse tempo também. Para se ter uma ideia, se você quiser ir para a Austrália com visto de estudante vai precisar de cinco a seis meses de preparação."

Pais assumem os trâmites do intercâmbio
Há ainda as famílias que optam por serem responsáveis por todo o processo de estudos do adolescente no exterior. Pamella Ayres Silva, de 16 anos, está desde de agosto deste ano em Lowell, Massachuetts, nos Estados Unidos, para concluir os estudos do ensino médio e se preparar para ingressar na faculdade de medicina de Boston, uma das mais reconhecidas do mundo. Mas a mãe, Tânia Ayres Silva explica que o processo de preparação da filha teve um trâmite diferente do que, normalmente, os estudantes brasileiros são submetidos.
"A Pamella nasceu nos Estados Unidos em um período em que eu e meu marido vivemos lá. Ela foi alfabetizada em inglês e viemos para o Brasil quando ela tinha seis anos. Na época, a adaptação dela na escola brasileira foi um pouco demorada, provavelmente pela idade e por ela desconhecer o português de um jeito mais formal", conta a mãe. Mas Tânia explica que a volta aos EUA foi mais tranquila, tanto no quesito adaptação quanto na regularização dos documentos. "Por ela ser americana, a regularização toda dos estudos foi mais simples do que o processo a qual um estudante brasileiro comum é submetido."
Hoje, Pamella vive em uma casa de família de brasileiros que moram há cerca de duas décadas nos Estados Unidos. "É importante essa relação com a família que a Pamella vive porque ela tem uma rotina que a ajuda a conquistar o seu objetivo que é estudar e ter boas notas para conseguir ingressar na faculdade com uma bolsa oferecida pelo governo norte-americano." A mãe conta orgulhosa que o plano está dando certo já que as primeiras notas da filha foram bastante satisfatórias. "Neste primeiro bimestre, a Pamella conseguiu um boletim com praticamente só nota A e B. Ela só teve um C. Isso nos mostra que ela está se esforçando."
Independentemente da preparação, os alunos, as famílias e as instituições acreditam que o intercâmbio é uma experiência muito importante para a formação do aluno, uma experiência que irá o marcar por toda a vida. "A aprendizagem do novo idioma já é uma experiência diferente por si só, já que você conviverá com pessoas nativas e precisará usar o idioma por praticamente 24 horas por dia. Conhecer uma nova cultura também é uma das vantagens de fazer um intercâmbio, o que é ótimo para o enriquecimento pessoal. Além disso, o intercâmbio dá um up no currículo, pois falar um outro idioma de forma avançada hoje já é algo obrigatório para muitas empresas, deixando de ser apenas um diferencial", pontua Marília Florisbal, da Egali Intercâmbio. (T.S.)


