Mas nem tudo é simples. Logo no início a fruticultura exige do produtor altos investimentos. Vai desde o preparo do solo, adubação, compra das mudas e manejo adequado, até a colheita e transporte. Em alguns casos, é necessário até mesmo a instalação de câmeras frias para evitar que o produto estrague de um dia para o outro, principalmente no verão.
Outro ponto citado pelo agrônomo da Emater é em relação ao retorno, que só vem em médio prazo por tratar-se de uma cultura permanente. É uma atividade de risco, se o produtor não tiver um comprador fiel para sua produção, que é perecível – diferente da soja, milho, feijão e outros produtos que podem ser armazenados. No caso da região de Umuarama, não há ainda uma infra-estrutura de comercialização e, neste caso, o produtor tem que procurar outros canais de comercialização, muitas vezes fora da região.
Este foi um dos assuntos que Costa abordou durante o encontro de fruticultores em Perobal. Ele observou que a fruta, seja ela qual for, tem mercado garantido desde que obedecidas as exigências básicas do mercado consumidor, que são qualidade, quantidade, preço e oferta constante. ‘‘Temos observado que há oferta de frutas durante dois ou três meses e ausência do produto no resto do ano. Isso afasta os grandes compradores’’.
Para o agrônomo, a região tem clima propício para a fruticultura e por isso produz frutos de excelente qualidade. É preciso, entretanto, ampliar a oferta e a quantidade para garantir mercado lá fora, em outros Estados e até no exterior. Para ele, o número de produtores na região ainda é considerado pequeno, mas pode ser ampliado se adotadas algumas medidas indispensáveis para o setor. A primeira é a organização dos agricultores, ou seja, uma espécie de associativismo para que, juntos, possam oferecer a maior quantidade de produtos possível para os compradores em potencial e, em segundo, a criação de pólos de produção.
Esses pólos, explica Costa, funcionam geralmente entre dois ou três municípios que se dedicam à produção de determinada fruta e se tornam referência para empresas atacadistas e exportadores. Há exemplos na região. Altônia e São Jorge do Patrocínio já são considerados pólos na produção de uva, enquanto Douradina e Ivaté se dedicam à produção de maracujá. ‘‘Ampliando esses pólos, criando outros e organizando os produtores do setor será um grande passo para transformar a fruticultura numa das principais atividades econômicas da região’’, sintetiza. (J.G.)

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