Fotos de Marcelo AlmeidaLineu Borges de Macedo deu asas à imaginação misturando tons da tendência ‘água’, que reúne nuances provocadas pelo reflexo da luz nos cristais de geloPense em um bife com batatas fritas... um bife amarelo, batatas azuis. Será que pareceria tão apetitoso? Agora imagine um enorme gramado... preto. Seria tão convidativo? Por fim, visualize ondas em um mar... amarelo. Pareceria tão repousante?
Isso tudo não passa de um disparatado exercício de imaginação, mas é também uma forma de prestar atenção no quanto estamos ligados a determinados padrões de cores e o quanto essas cores podem alterar a maneira como encaramos o mundo que nos cerca.
Embora pareça corriqueira, nossa convivência com o colorido é, em muitos aspectos, pensada. Não é por mero acaso que as indústrias de vários segmentos - de automóveis a tecidos, de azulejos a tintas de parede - colocam no mercado produtos seguindo uma ‘‘tendência’’ geral. Representantes de todos os setores se reúnem para estabelecer o que vai ser moda em termos de cores e padronagens. Assim, há uma unidade que facilita o trabalho de muitos profissionais, especialmente os que lidam com decoração.
Encontrar a harmonia entre as cores propostas pelo kit que cada um recebeu foi a recomendação aos artistas presentes ao evento, como Marie Helene
No Brasil, é o Comitê Brasileiro de Cores, criado em 1983, que orienta o desenvolvimento de tonalidades para diferentes linhas de produtos industriais, seguindo os caminhos apontados pelo mercado internacional. ‘‘Existe um planejamento comum na coordenação de tonalidades, para que arquitetos e decoradores encontrem um equilíbrio cromático em seus projetos’’, explica a idealizadora do CBC, a arquiteta e designer Elisabeth Wey. ‘‘O consumidor final também pode montar ambientes combinando o azulejo com a louça sanitária e a tinta da parede’’.
No último sábado, um evento artístico serviu de cartão de apresentação para a nova cartela do CBC em Curitiba. Artistas plásticos locais receberam o desafio de criar a partir de certas cores propostas, buscando a harmonia entre os tons.
Cada artista encarou de uma maneira a nova cartela do Comitê Brasileiro de Cores - Duli Krodel optou por círculos marcantes nos tons vivos que marcam presença entre as 21 tonalidades da cartela para 97/98
A cada dois anos, o Comitê lança uma cartela da qual constam cerca de 20 tonalidades diferentes, um número restrito para que a indústria não tenha dificuldade em adaptar suas linhas de produtos. As sugestões nascem depois de muita pesquisa. Uma equipe coordenada por Elisabeth Wey percorre as principais feiras internacionais ligadas a decoração, nos ramos de mobiliário, cerâmica, eletrodomésticos e tecidos, para acompanhar as novas cores.
‘‘É fundamental que decoradores e indústrias troquem mais informações’’, defende Elisabeth.

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