As cores do ano
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de abril de 2018
Amanda de Santa<br>Especial para a FOLHA 
As cores dão vida, personalidade e emoção aos ambientes da casa. São itens importantes na decoração de interiores, pois garantem harmonia, alegria e beleza aos espaços. Só que muitas dúvidas aparecem na hora de definir a paleta ideal para cada cantinho do lar. A dica de especialistas é usar as tendências como fontes de inspiração e não regras. O gosto pessoal, os costumes, o tipo e a funcionalidade de cada cômodo devem ser levados em conta na hora da escolha.
Para ajudar nessa difícil missão, as marcas de tintas fazem extensas pesquisas de mercado e elaboram uma espécie de curadoria para elencar as cores mais representativas de cada ano. A consultora de cores para a Suvinil, Ana Kreutzer, ressalta que o mundo não é feito de uma cor só, por isso não tem como pensar em apenas uma cor para o ano. "Quando falamos de tendências, falamos de leitura visual, estética e cromática do mundo no momento", explica.
É por isso que, nos estudos, os pesquisadores procuram olhar para o macro, ou seja, o que acontece no mundo, e principalmente no Brasil. "Existem culturas diferentes e isso interfere na paleta de cores para cada região", justifica. A especialista aponta que, para destacar as tendências de cores para 2018 e 2019, foi realizado um abrangente estudo comportamental dentro de três grandes temas: magnético, ideológico e natural.
O magnético aborda a inteligência emocional. Ana lembra que, na sociedade atual, as pessoas são criadas para serem felizes e não expressarem sentimentos negativos. "Nossa geração não foi educada emocionalmente", acrescenta. Por isso, o tema discute a busca pela evolução emocional. Esteticamente, desdobra-se em referenciais como a geração Millennium, ou geração Y, que trouxe a "epidemia" do rosa.
Segundo ela, o rosa remete a atmosferas doces, afetivas e possui forte relação com a sensibilidade emocional. "É como se estivéssemos sendo abraçados", compara. Por isso, a paleta que valoriza o rosa, em tons claros e suaves, é uma das fortes tendências deste ano. Outro destaque dentro do tema é o amarelo, tons amanteigados. "A ideia é criar uma atmosfera com essas cores, envelopar o espaço, brincar com as paletas", aponta.

Ana diz que antes de a Pantone anunciar a cor do ano, a Ultra Violet, a paleta de tons lilás já era destaque nas pesquisas por ter relação com o campo do intocável, como as emoções humanas. Há desde tons mais suaves, como lavanda, até o violeta mais fechado e profundo, o ametista. A consultora afirma que o violeta emite uma energia de mistério e ao mesmo tempo terapêutica. É indicado, por exemplo, para colorir um espaço de meditação ou hall de entrada.
No segundo grande tema, o ideológico, os estudos falam sobre o ser político, que tem voz e poder. Resgata a realidade das redes sociais, influenciadora dos movimentos de grupos unidos por uma mesma causa. "Identificamos uma cartela polarizada, de vermelhos e azuis, com efeitos psicológicos contrários", conta. A paleta traz ousadia, cores muito afirmativas e bem resolvidas. São cores que possuem relação forte com a representatividade e o compromisso.
Já o terceiro tema, o natural, é discutido há algum tempo e tem se fortalecido cada vez mais. Aborda tanto o viver na cidade e trazer a natureza para perto de casa, como a relação com o consumo e uma nova consciência sobre o poder dos alimentos. A paleta natural é uma tendência global de resgate à cultura e à sabedoria ancestral e em cada região do mundo se manifesta de maneiras diferentes.
No Brasil, os tons terrosos são os destaques, assim como os verdes. Segundo a especialista, tais cores podem ser usadas sem moderação, pois são muito acolhedoras. Dessa paleta sai a cor do ano, que é a terra roxa. "Acreditamos que a cor que representa um pouco de tudo o que falamos vem do laranja terroso, com fundo rosado. Representa uma conexão direta com a terra e, consequentemente, mais humana", explica.
COMECE PELO NEUTRO
Uma das fortes tendências de 2018 é pintar quase todo ou todo o ambiente de uma mesma cor. A Suvinil, por exemplo, produziu um quarto totalmente vermelho, do chão ao teto. O objetivo é evoluir o discurso do design de interiores, quebrar paradigmas. "A regra é na verdade, a necessidade e o momento de vida de cada um", argumenta a consultora de cores da empresa, Ana Kreutzer.
Para quem quer apostar nas tendências e tem medo de errar, a arquiteta Chris Brasil diz que uma dica é seguir um padrão básico, de cores neutras, e só depois do projeto de decoração pronto, escolher outros tons para destacar os ambientes. Segundo ela, em Londrina e região, não é comum usar paredes branco neve, mas em off white, que traz mais aconchego. "Sugerimos tons neutros seguindo como base os acinzentados", afirma.
Para quem quer ousar e apostar em tons mais fechados, como o verde musgo, vermelho queimado ou o próprio violeta da Pantone, a arquiteta sugere escolher um ambiente pequeno, como o lavabo, por exemplo. "Se não gostar, é mais fácil de mudar", justifica. De acordo com a arquiteta, o segredo é usar tons neutros em tudo o que é fixo e em peças que são mais caras e, por isso, não serão trocadas com frequência.
As cores que são tendências podem estar em apenas uma das paredes, nas almofadas e nos pequenos objetos de decoração. Hoje, existem vários aplicativos que oferecem testes de cores nos ambientes. Algumas empresas de tintas também disponibilizam kits com duas a quatro cores para serem aplicadas nas paredes. "O que importa, no fim das contas, é entrar no ambiente e sentir-se bem", resume Chris.


