Não é por acaso que a maior cooperativa singular brasileira seja de produção - a Coamo, de Campo Mourão. O campo tem sido, principalmente no Paraná, a principal área de atuação do cooperativismo, que evoluiu do interesse inicial restrito ao mercado local e regional para a agroindústria e para as exportações, que são maneiras de aumentar a renda dos agricultores associados.
Antigas cooperativas exclusivas de cafeicultores fecharam as portas ou evoluíram para um sistema diiversificado de produção e mercado. Hoje elas trabalham com praticamente tudo que a lavoura produz - do café à soja, o trigo, o milho, a batatinha, a cana, e o açúcar, e o álcool. Os derivados de suínos, de aves, do leite, do boi.
Cooperativas têm sido acusadas de serem entrepostos de insumos, de forçarem a venda de alguns produtos ou de estimularem produtores a entrar em negócios que depois podem não dar certo. Mas, no geral, o sistema cooperativo tem sido um dos mais importantes multiplicadores de tecnologias destinadas a proporcionar ao agricultor, ao pecuarista, os melhores resultados de suas atividades. E também desenvolvem um trabalho permanente em defesa dos interesses dos seus associados.
Em consequência dessa atuação, elas são as mais importantes exportadoras brasileiras de bens da cadeia agropecuária - do grão bruto ao farelo e ao óleo de soja, por exemplo. As exportações brasileiras no ano passado comprovam esse papel do sistema cooperativo como vendedor, de boa parte da produção brasileira, no mercado mundial. Ele precisou, em primeiro lugar, adaptar-se às novas regras de negócios criadas pela globalização da economia. Os resultados foram bons, conforme levantamento feito pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), e indica crescimento.
As cooperativas continuam tendo como principais produtos de exportação a soja, o açúcar e o café, ‘‘seguindo-se à distância, mas com grande potencial de crescimento, as carnes de aves e suínos’’. No no passado elas exportaram US$ 517,8 milhões, em mercadorias do complexo soja - 33,5% acima do resultado de 1996, segundo a OCB, mesmo considerando que apenas 48, das 102 cooperativas que operam na comercialização de soja destinaram parte de suas vendas para o exterior em 1997. De café, elas exportaram 39,4% acima do ano anterior, chegando ao valor de US$ 163,4 milhões. Isto, para ficar em apenas dois exemplos de desempenho.
- JOTA OLIVEIRA é editora da ‘‘Folha Rural’’

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