A Avenida Marechal Floriano Peixoto, uma das mais importantes de Curitiba, foi a campeã em acidentes de trânsito no ano passado, com 163 ocorrências. Nos dois primeiros meses deste ano, sua liderança se manteve com 24 casos registrados pelo Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran). Assim como ela, outras avenidas acumulam posições no ranking municipal da violência no trânsito. Segunda colocada nos primeiros dois meses deste ano, a Rua Mateus Leme fechou 2006 em quinto lugar, com 63 acidentes. A Avenida Comendador Franco atualmente é a terceira colocada com 11 ocorrências, mas foi a vice-campeã no ano passado, com 108.
  Segundo o chefe do setor de tráfego em área da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran), Rogério Falcão, vias como a Marechal Floriano, que apresentam trânsito lento, são palco do maior númeo de ocorrências. Isso acontece porque nestas avenidas os motoristas têm que se preocupar com outros fatores, como linhas de ônibus, faixa de estacionamento com veículos entrando e saindo, comércio e outros elementos urbanos que acabam por tornar o trânsito nestas vias mais complicado.
  As ocorrências registradas nestes locais geralmente são batidas leves, causadas por distração do motorista. Diferente do que muitos imaginam, as vias de trânsito rápido apresentam menor número de acidentes. Na opinião de Falcão, isto se deve à atenção maior que os motoristas empenham quando estão em alta velocidade e pela ausência de elementos capazes de desviar a atenção. ‘‘Na via rápida só precisa acelerar e ir’’, explica.
  Motorista desde 1969, o ex-professor Durval Ozório transita freqüentemente pela Marechal Floriano. Apesar da fama da avenida, ele nunca se envolveu em acidentes nesta via. Na sua opinião, os problemas de trânsito têm raízes culturais e só poderão ser solucionados através da educação. ‘‘Cabe ao Estado dar uma resposta à população através da educação’’, opina.
  Lider no ranking de acidentes, a Marechal Floriano também é a campeã em atropelamentos. Em 2006 foram registrados 25 casos, seis deles no cruzamento com a Avenida Sete de Setembro, que foi palco de 15 ocorrências deste tipo marcando a terceira colocação nesta categoria. O maior número de óbitos no trânsito é causado por atropelamentos. Segundo o delegado Armando Braga de Morais, da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), este tipo de fatalidade é mais comum em vias de alta velocidade e próximo à rodovias, ela acontece com mais freqüência por volta das 18 horas, quando há mais pessoas na rua e a visibilidade fica prejudicada pelo pôr-do-sol.
  O trânsito em Curitiba é violento na opinião do delegado. Em 2006, 83 pessoas perderam a vida em acidentes e atropelamentos. Até março deste ano, o BPTran registrou 13 óbitos nas ruas da cidade. Mesmo assim, segundo Braga, o número de crimes de trânsito diminuiu 6% nos últimos dois anos. ‘‘É uma vitória se você pensar que o número de carros aumenta a cada ano’’, afirma.
  Proporcionalmente, a frota de automóveis de Curitiba cresce mais do que seu número de habitantes. Em 2005 eram 905.154 veículos circulando, em 2007 este número saltou para 970.742, um aumento de 65.588 carros em dois anos. Neste mesmo período a população do município cresceu apenas 48.500 habitantes. Braga atribui a queda no número de crimes às campanhas educativas. ‘‘A sensação de impunidade está diminuindo’’, acredita.



TRÂNSITO CURITIBANO

Campeãs de acidentes em 2006

1º Lugar - Av. Marechal Floriano peixoto: 163
2º Lugar - Av. Comendador Franco: 108
3º Lugar - Av. Manoel Ribas: 71
4º Lugar - Av. Juscelino K. de Oliveira: 69
5º Lugar - Rua Mateus Leme: 63
6º Lugar - Av. Vitor F. do Amaral: 57
7º Lugar - Av. Anita Garibaldi: 49
- Av. Vereador Toaldo Túlio: 49



Campeãs em atropelamentos em 2006

1º Lugar - Av. Marechal Floriano Peixoto: 25
2º Lugar - Av. República Argentina: 17
3º Lugar - Av. Sete de Setembro: 15
4º Lugar - Av. Anita Garibaldi: 11
5º Lugar - Av. Comendador Franco: 10


Fonte: BPTran

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