As bizarrices da cidade
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Depois da eleição do Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, como uma das sete novas maravilhas do mundo e de todo o debate a respeito da validade do processo de votação, Curitiba também ganhou um ranking próprio no mês passado. Antes que a idéia de eleger as sete maravilhas da capital paranense viesse à tona, o blog da revista Curitiba Deluxe lançou a eleição das sete maravilhas bizarras da cidade.
O convite para participar da votação foi enviado a endereços eletrônicos de 300 pessoas, das quais 70 votaram, ao longo de uma semana, em até sete dos 16 candidatos apresentados pelos criadores do blog (www.cwbdeluxe.blogspot.com). O eleitor tinha também a opção de sugerir uma outra maravilha bizarra que não estivesse na lista. De acordo com um dos articuladores da eleição local, Rodrigo Apolloni, a idéia surgiu como uma crítica bem-humorada. Como a gente acha esse tipo de votação uma cafonice, resolvemos fazer uma brincadeira, conta.
Para Apolloni, o sucesso deve-se a identificação dos moradores da cidade com a idéia. Parece que era o que todo mundo pensava e alguém pescou no ar, explica. A escolha dos candidatos, segundo ele, foi simples. Não foi um grande trabalho intelectual, o mais bizarro veio à tona porque é o que está diante dos olhos, avalia. A idéia não é ofender, é dar risada, completa. O blog recebeu também sugestões de eleger as pessoas mais bizarras da cidade, mas Apolloni e o sócio da brincadeira Heros Schwinden, preferem não ampliar a polêmica. Com uma segunda versão já vira farsa, justifica Apolloni.
Vizinha da Rua Cruz Machado, eleita uma das maravilhas bizarras, Maria Helena Ventura de Lima, diz que o título não é suficiente para qualificar o local. Essa rua é mais do que bizarra, é um escândalo! Eu passo aqui mas tenho medo. De madrugada não dá pra andar aqui. Periga até ter bala perdida, conta. Para Maria Helena, toda cidade tem uma rua assim mas no caso da Cruz Machado a movimentação noturna e seus desdobramentos estão muito próximos daqueles que não são atraídos pelos atrativos do local (tráfico de drogas, prostituição, etc). O prédio que eu moro é de família. Tinham que tomar uma providência, reivindica.
Paulo Sérgio Giffhorn, proprietário de uma loja na Cruz Machado há 32 anos, no entanto, diz que a degradação da rua já foi pior. Depois que pega fama ruim é difícil de tirar, observa. Ainda assim, ele diz que freqüentemente presencia situações constrangedoras. Tem de tudo nessas quadras aqui. Outro dia uma briga veio parar dentro da loja. Além de ver o que acontece a gente tem que tomar parte, relata o comerciante. Proprietário de uma banca de revista na mesma rua há apenas seis meses, Rubens Ribeiro diz que apesar da bagunça, dá pra se divertir. Enquanto não achar outra coisa melhor a gente vai agüentando, afirma.
Empatada com a Rua Cruz Machado na quinta posição do ranking está a região em torno da Praça Tiradentes, conhecida como cracolândia por causa da concentração de usuários de crack no local. Segundo o estudante Leandro Skroch, que costuma passar por ali quando sai do estágio, quem anda pela região está sujeito a alguns riscos. Tem uns moleques que dormem ali e ficam escondidos. Volta e meia você acaba levando um susto com dois ou três te cercando, alerta.
O primeiro lugar ficou com a réplica da Estátua da Liberdade, da loja Havan. Para a gerente de marketing da rede, Cristina Sapata, o título de maravilha bizarra não foi tomado pela empresa por seu aspecto pejorativo. Bizarro pode ser excêntrico, estranho, elegante ou nobre como diz o dicionário. A estátua sempre foi polêmica pelo tamanho, mas a gente a tem como um ícone de marketing que poderia ter
sido qualquer outra coisa, afirma a gerente. Se ela está sendo lembrada, isso para nós é bom, estamos na mídia, avalia.
A avaliação é a mesma entre os proprietários do restaurante La Capresi, onde fica a estátua de Davi, segundo
o gerente Marcelo Zanini. A estátua ficou com a sétima colocação.
Eles ficaram contentes. Não deixa de ser uma coisa boa, de qualquer forma está colocando o restaurante em evidência, explica o gerente. A peça, de acordo com Zanini, é uma réplica perfeita da obra de Michelangelo e
foi importada da Itália ao custo de
um milhão de reais. Tem pessoas
que vêm aqui só para tirar foto, conta.
As outras maravilhas bizarras apontadas pelo site na eleição:
- o Homem Nu da Praça 19
- as duas meias pracinhas do Batel
- a BR-116, saída para São Paulo
- a Galeria Osório (reduto dos discos de vinil)
- a esquina da São Francisco com Riachuelo
- a área do Terminal Guadalupe
- a instalação ultra-bizarra na Hugo Simas, perto do Bosque Alemão
- o miolão de quadra na frente do Mueller, na Cândido de Abreu


