As ameaças do Transpacífico
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
O anúncio do Acordo de Associação Transpacífico (TPP), assinado semana passada, preocupa as entidades que representam o agronegócio nacional. Com 12 países signatários (Estados Unidos, Japão, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã), ele poderá prejudicar a exportação de alimentos produzidos no Brasil. Isso porque envolve um dos grandes compradores, o Japão, e o principal concorrente, os Estados Unidos.
"Estados Unidos e Brasil concorrem pelo mercado japonês na exportação de frango, soja e milho. E o Japão é o principal cliente de frango", explica o superintendente-adjunto da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Nelson Costa. Mas não é só isso. "No caso da carne de boi, a Austrália também é um dos nossos concorrentes na exportação para o Japão", declara.
De acordo com ele, o Brasil dá preferência por um acordo, que vem sendo costurado há anos, entre o Mercosul e a União Europeia. "Mas esse processo se arrasta e os outros países (do TPP) se adiantaram. É uma pena que o Brasil não esteja dentro do Transpacífico", ressalta.
A coordenadora da Superintendência de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Alinne Betânia Oliveira, lembra que os 12 países que assinam o Transpacífico respondem por 40% da economia mundial e têm 800 milhões de habitantes. "Não podemos ignorar", declara. Ela também afirma que, antes de se tornar realidade, o tratado precisa ser ratificado por todos os participantes, o que pode demorar. "Mas, quando entrar em vigor, poderá sim representar perdas para a agropecuária brasileira porque envolve grandes compradores e competidores do Brasil."
A coordenadora salienta que, além dos Estados Unidos, que compete com o Brasil na soja, milho, carne e frango, há a Nova Zelândia, uma grande exportadora de produtos lácteos. "Tem a Austrália, com açúcar e carne bovina. E ainda o Chile, com frutas", enumera.
De acordo com a Alinne, além de tarifas diferenciadas, os 12 países vão negociar novas regras que podem afetar o Brasil. "Se acordarem entre si um padrão sanitário diferente do nosso, para exportar a esses países, teremos de entrar em conformidade com essa regras, o que pode gerar custos altos."
Preocupa também, segundo ela, o fato de que os países vão negociar propriedade intelectual entre eles. "Existe uma gama de temas que não são necessariamente tarifários, mas que vão melhorar em muito o ambiente de negócios entre eles e dificultar nosso acesso", destaca.
A coordenadora declara ainda que a "lição que o Brasil tem de tirar" desse acordo é que não pode ficar parado. "Outros países estão negociando acordos bilaterais. Temos de fazer também." Ela conta que, de acordo com Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o tratado entre o Mercosul e a União Europeia sai ainda neste mês. "Mas, a posição da CNA é de que o País deve avançar mesmo sem o Mercosul. Não pode ficar parado."
CHINA
Nelson Costa, da Ocepar, aponta outro motivo de preocupação para o agronegócio brasileiro. É a aproximação que está sendo feita entre a China (principal compradora de soja do Brasil) e a Argentina, uma das grandes concorrentes. "Devido à crise econômica e dificuldade de honrar compromissos, a Argentina se afastou do mercado internacional e se aproximou da China, que a apoia com financiamentos", explica.



