Velhos discursos se vão. A nova cidade, viva, está aí. "Mudou radicalmente nos últimos dez anos e estourou agora, em 2008, 2009", destaca Milla Jung, 32, que considera o momento atual espetacular. Na falta de interlocutores, ela criou em 2002 o Núcleo de Estudos da Fotografia (NEF). Hoje, o espaço é um dos principais locais de debate da fotografia no Brasil e seus ex-alunos, seus melhores professores.
Milla atribui a mudança aos que chegaram de outros lugares, cheios de ideias e vontade. "O curitibano vai ter que perder o pudor, se não vai ficar em casa", resume a fotógrafa, que é curitibana. Enquanto se perdia tempo discutindo a cidade autofágica, hoje o foco está no fazer, conquistar o espaço. "Não se espera mais a vontade do Estado em apoiar. A Prefeitura tem apoiado melhor as artes nos últimos três ou quatro anos, mas a questão agora é o fazer porque é inevitável que se faça."
Espaços de debate estão pipocando. Divide parede com o NEF o Paralelo: Centro de Artes Visuais, organizado pela ex-aluna Nicole Lima. Aos domingos, ela manda uma agenda cultural para mais de dois mil contatos. Tal como já tratou o repórter Omar Godoy, o conteúdo do zine é mais uma mostra de que não faltam eventos interessantes na cidade.
O poder local está também na valorização e participação dos mais experientes. Milla acredita, inclusive, que não é uma questão de geração, mas de um lugar e espaço. O escritor Luiz Felipe Leprevost, 30, entende que a turma dos 25 aos 30 e poucos anos é a primeira a abandonar o discurso da autofagia, da afirmação constante que Curitiba não valoriza seus talentos.
Mesmo que jovem, Leprevost já organizou leituras de seus textos com nomes de peso como Regina Bastos e Luthero de Almeida. Seu amigo Alexandre França dirige uma peça com Claudete Pereira Jorge em cartaz no Festival de Curitiba. "Os meus ídolos moram em Curitiba, os meus ídolos são daqui", explica Leprevost. O melhor de tudo: pessoas de carne e osso, acessíveis. "Eles também estão ávidos por essa troca. Temos que ir lá, conviver, participar."
Ele fala de uma juventude que produz obstinadamente. Cita pessoas de outras áreas, conta dos coletivos, do Movimento de Teatro de Grupo, que reúne companhias com uma proposta autoral na cidade. E concorda com Milla: não se fica mais a espera de apoio. "A Prefeitura hoje respeita a arte daqui. E entende que se não é fundamental, é inevitável. Não tem como parar."
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