Princípio, contestado por especialistas, é de que o ser humano, como as plantas, seria capaz de realizar uma espécie de fotossíntese e dispensar alimentos. Adepta brasileira diz que a prática não tem qualquer relação com religião e nem se trata da mais recente dieta em busca da magreza. ‘‘É um estilo de vida’’, diz.

De manhã, enquanto milhares de pessoas se alimentam de pão, leite, manteiga, a brasileira Evelyn Levy Torrence, 40 anos, troca qualquer tipo de comida por três minutos de exposição ao sol, olhando diretamente para a luz, em sua casa na Flórida (EUA).
Com 1,66 e 45 quilos, ela faz parte de um grupo de cerca de 6 mil pessoas em todo o mundo que afirmam estar se adaptando a uma nova realidade orgânica, que consiste em deixar de comer alimentos sólidos e só ingerir líquidos esporadicamente. O objetivo seria viver exclusivamente do que os indianos chamam ‘‘prana’’, a energia vital que pode ser captada através da luz do sol e do ar.
A ciência não tem qualquer comprovação dessa possibilidade e os adeptos da não-alimentação quase sempre são vistos como um bando de excêntricos a caminho de uma anemia profunda. Mas Evelyn Torrence – que veio ao Brasil este mês para uma série de quatro palestras em Curitiba, Londrina, Florianópolis e Brasília – garante que sua saúde melhorou sensivelmente desde que deixou de comer em maio de 1999.
A teoria polêmica é criticada por médicos e nutricionistas (leia texto nesta página), mas os defensores da não-alimentação já preparam um congresso mundial para debater com cientistas e jogar luz sobre o assunto que encontra opositores ferrenhos, ao mesmo tempo em que instiga a imaginação para a possibilidade de uma nova forma de vida.
Magra, sem parecer anoréxica, Evelyn diz que não tem nenhuma motivação religiosa para aderir à não-alimentação, sua opção é antes de tudo ‘‘um estilo de vida’’. Em entrevista à Folha na última sexta-feira, a artista plástica radicada nos Estados Unidos e autora de dois livros fala de sua nova condição.

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