ARTIGO
A pessoa surda é aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Esta língua foi reconhecida como meio legal de comunicação através da Lei 10.436 de 2002.
No Brasil encontramos duas línguas de sinais: a utilizada nos centros urbanos, que é a Libras, e a LSKB, Língua de Sinais Kaapor Brasileira da comunidade indígena na Amazonia Urubus-Kaapor. Com o decreto 5.626 de 2005, a pessoa surda conseguiu direitos que puderam começar a mudar a história de sua comunidade.
A política atual de inclusão de alunos com necessidades educativas especiais nas escolas regulares, em diversos níveis de ensino, tem sido difundida de forma massiva. De acordo com o último Censo da educação, existem hoje 62 mil surdos matriculados na educação básica e apenas 600 estudantes no ensino superior.
As expectativas para uma inclusão real se fundamentam nestas ações legais que o decreto propõe. Com isso a necessidade da aquisição da língua pela comunidade ouvinte é cada vez maior. A começar pela educação, percebe-se um grande número de profissionais buscando especializações para poderem receber esses alunos especiais em sala de aula e poderem viabilizar o ensino dos conteúdos de forma adequada. A importância de se aprender Libras baseia-se na busca de uma educação para todos.
Há vários órgãos que ministram esta língua e a comunidade surda possui uma federação, a Feneis (Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos), que atua em várias regionais de todo o Brasil, inclusive em Curitiba. Ela tem sido uma grande propulsora do desenvolvimento desta língua e da busca do respeito pela cidadania da pessoa surda.
Minha vida
Eu sou surdo e estudei no Iles, Instituto Londrinese de Educação de Surdos. A partir dessa formação básica fui atrás de minha formação educacional e profissional. Hoje sou mestrando e busco conhecimento científico e maior visão das ações políticas e educacionais. Sou instrutor com proficiência no ensino da Libras regulamentado pelo MEC e ministro o curso em diversos setores da sociedade. Estou feliz em ser um instrumento do movimento de inclusão.
Quanto às dificuldades encontradas pelas pessoas que buscam o aprendizado posso apenas dizer que, independente de sua formação ou classe social, o desejo da pessoa em se comunicar, em aprender a língua de sinais, é uma grande motivação para o desenvolvimento no curso. Há diferenças culturais da comunidade surda que necessitam ser conhecidas além da aquisição da língua. Necessita de um fundamento teórico da própria Libras pois ela é de modalidade gestual-visual e possui uma estrutura gramatical diferente da língua portuguesa.
Como proceder ao encontrar surdos sem o conhecimento da Libras é o mesmo quando encontramos uma pessoa estrangeira. Sugiro que deva ficar na frente e falar pausadamente, procurando fazer gestos naturais que possam indicar o código de comunicação desejado. Toda essa atenção irá demonstrar o respeito e o interesse na comunicação abrindo um caminho para o que se deseja. O surdo possui o canal visual para se comunicar e por isso se torna necessário estar olhando para ele num contato visual no momento da troca de informações. Ainda poderá utilizar da comunicação escrita para que se consiga o esperado.
Sou casado com uma ouvinte (sem deficiência), Solange Brecailo, que é usuária da língua de sinais. Partilhamos de mundos diferentes, do silêncio e dos sons, mas encontramos nossas semelhanças no amor.
Leandro Patrício tem 33 anos, mora em Curitiba e é instrutor no ensino da Libras. Atualmente faz mestrado na área de educação.





