Na corrida eleitoral, entre as promessas dos candidatos ao Governo do Estado sempre são citadas uma série de melhorias e investimentos nas diversas áreas, que se concretizados, transformariam o estado numa região perfeita. Mas com o orçamento previsto para 2011, em R$ 25 bilhões, o que, efetivamente, o governador eleito terá condições de realizar? A reportagem da FOLHA procurou especialistas que pudessem, ainda que de forma idealizada, traçar um mapa das principais carências e prioridades dos governantes. Mas a equação não parece tão simples.
  Especialista em finanças federativas e políticas públicas, o docente da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Demian Castro, acredita que o primeiro passo, certamente, é o governador recuperar sua força política e importância estratégica junto aos municípios. ‘‘Os candidatos se propõem a resolver todos os problemas com investimentos que transformariam nossa região numa Disneylândia. Porém, a questão vai muito além do orçamento disponível. Há a urgente necessidade de governar em cooperação com as outras esferas de governo. O Governo do Estado deve ser um grande ativador das potencialidades municipais’’, pontua o professor.
  Ainda que o valor do orçamento para o próximo ano não tenha sido aprovado pela Assembleia Legislativa, o especialista acredita que o primeiro ano de mandato será regido por muitas restrições. ‘‘O orçamento já está quase todo carimbado e comprometido com pagamento de dívidas e de pessoal. Acredito que muito, o governador terá 10% de capacidade para fazer investimentos. Contudo, há medidas importantes que podem ser realizadas sem, necessariamente, investimentos imediatos ou pesados, como no caso das políticas sociais. Mas todas as políticas devem estar integradas.’’
  Integração que, entretanto, não é possível em todos os momentos. Segundo ele, o estímulo a uma atividade econômica, por exemplo, significa retirar de outra área, já que as medidas econômicas são concorrentes das políticas sociais e de segurança. ‘‘É importante dizer que sem articulação política não haverá melhorias. Se estamos perdendo emprego para a China, por exemplo, por conta da nossa taxa de câmbio, posicionamento de política industrial do nosso país, o governador sozinho não pode fazer nada. Mas se o conjunto razóavel de governadores assumir politicamente que é necessário alterar a dinâmica e composição do Banco Central, mudanças podem vir a acontecer’’, aconselha.

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