Artesanato para colorir a terceira idade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de maio de 2009
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Há muito tempo que a aposentadoria deixou de ser sinônimo de descanso e férias intermináveis. Boa parte dos aposentados continua produtiva, trabalhando ou aproveitando para se dedicar a atividades que antes não podia por falta de tempo. Aliás, trabalhar e produzir significa qualidade de vida para a terceira idade. Como prega o programa Vida Nova do Instituto da Previdência dos Servidores Municipais de Curitiba que aproveitou o talento dos aposentados para incentivá-los a produzir artesanato.
Toda a produção é vendida em duas feirinhas do Dia das Mães nas sedes da Prefeitura de Curitiba, na Avenida Cândido de Abreu e no Edifício Delta, no Alto da Glória. O trabalho de cerca de 50 servidores aposentados atrai consumidores, pela qualidade e variedade de produtos, como os feitos "na roça" por Alma Tessaru, 66 anos. "Desde que me aposentei, há seis anos, fui morar com meu marido em Campo Largo, numa vila rural, e passamos nossos dias cuidando da horta e do pomar da nossa propriedade. É muito bom porque a gente se ocupa", conta ela, que também é artista plástica.
Na banquinha dela, conservas de batata e pepino, doce de figo e abóbora, geleias e bombom de figo orgânicos dividem o espaço com sabonetes decorados, chaveiros feitos com nó de pinheiro e quadrinhos pintados em pedaços de pinheiro. Os preços variam de R$ 2,00 a R$ 15,00. "Tive cinco filhos e trabalhei em escola. Só agora pude me dedicar a outras coisas que gosto de fazer", disse Alma. As aposentadas participam de uma feira a cada dois meses, mais ou menos - Natal, Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Dias dos Professores.
O artesanato das servidoras aposentadas também fica exposto em uma barraca da Feirinha do Largo da Ordem e, entre os dias 20 e 28 de junho, estará num evento no Jardim Botânico. Das mãos das artesãs saem até invenções, como o SOS Costura criado por Roseli Carta Bressan, 58. "Peguei uma tábua de cortar carne e fixei pregos para virar suporte para linhas, além de uma caixinha que virou porta agulhas, tesoura e botões", explica ela, que também criou um protetor de lã para cabo de vassoura - para não arranhar a parede no local que o objeto é guardado.
"Artesanato é muito legal. Queria ser uma centopeia para fazer tudo que tenho vontade", brinca Roseli, que ainda faz tapeçaria, toalhas e acessórios de crochê e tricô. Embora seja modesta em relação ao número de expositores, a feirinha oferece variedade de artesanatos, tudo de muita qualidade e bom gosto, como as toalhas de prato bordadas com o colorido patchwork feitas pela aposentada Doroti Melo, 57. Já Maria Helena Pomorski, 57, se dedica a confecção de caixinhas decoradas com tecidos e flores, além de artesanato em meia de seda e biscuit.
Bendito fruto entre as mulheres é o ex-auditor fiscal do município, Teodósio Zdebski, 53 anos, único homem a participar das feirinhas. "Faço produção artesanal de geleias de uva, mexerica e morango. Não é orgânico, mas não tem conservantes", informou ele, que vende cada pote a R$ 5,00. Outra parte deliciosa das feirinhas são os bombons de chocolates recheados com brigadeiros de pinhão, paçoca, suspiro, além de pão-de-mel e sushi de chocolate (recheado com nozes) feitos pela ex-procuradora do município, Liane Brun.
"O Vida Nova é um programa que prepara os servidores para a aposentadoria, valorizando os aposentados e o convívio deles com antigos colegas. Resgatando também a identidade deles com a instituição", explica Maria Cristina Jackes, uma das coordenadoras do Vida Nova. "A proposta é incentivar os aposentados a produzirem, desenvolverem seus talentos para a criação artística, geração de renda e reinserção na comunidade", completa.


