O Paraná é um Estado multicultural, com várias etnias compartilhando o mesmo espaço. Alemães, ucranianos, italianos, japoneses e outras nacionalidades compõe um mosaico de tradições e costumes representados na comida, no sotaque, na arquitetura e, sobretudo, nas manifestações artísticas do Estado.
O artesanato é uma das formas mais ricas de manter viva a herança ancestral destas culturas. É através dele que a história fala aos entes mais jovens e mantém acesa a chama da tradição, mesmo a um oceano de distância da terra natal.
Para manter viva a cultura milenar do Japão em um país tão distante como o Brasil, a artesã Ruth Sato começou uma pesquisa solitária sobre temas do folclore e da mitologia japonesa. Segundo ela, quando iniciou seu aprendizado não existiam pessoas nem cursos no Estado para ensinar o artesanato japonês. ''Aprendi tudo sozinha, acho que a técnica já estava dentro de mim'' reflete.
Como a maioria dos artesãos, começou sua produção como hoby, para presentear amigos e parentes. Conforme foi ficando conhecida, várias lojas começaram a encomendar suas peças. Hoje, a demanda é tamanha que ela não consegue atender a todos os pedidos. Trabalhando sozinha, Ruth não consegue produzir um volume muito grande. O foco da seu trabalho está no bom acabamento dos produtos, eco da tradição japonesa da qualidade. ''O essencial é ter energia e história nas peças'' afirma.
Assim como Ruth, vários artesãos da comunidade nipônica expõe seus trabalhos na casa localizada na Praça do Japão, criada para divulgar e manter viva a tradição japonesa no Estado.
''O amor pela terra natal preserva a cultura dos imigrantes'', é o que diz a presidente da Associação dos Núcleos Artesanais da Vizinhança, Deonilda Mueller. Segundo ela, esta é uma prova importante de que a história de outro país não morre com a distância ou com o tempo.
O artesanato ucraniano, por exemplo, manteve-se forte no Paraná através do trabalho de resgate realizado pelos descendentes dos imigrantes que fincaram suas raízes no Estado. Quando veio da Ucrânia em 1937, um ano antes do início da Segunda Guerra Mundial, Maria Voloschen tinha 10 anos de idade, mas já sabia fazer Pêssankas. Foi com a mãe que aprendeu a técnica de pintar ovos com símbolos de boa sorte para presentear entes queridos. Quando chegou, trouxe com ela esta cultura milenar. ''O Paraná é uma Pêssanka'' afirma Maria de forma simbólica, para explicar a importância do artesanato ucraniano no estado. Além da simbologia tradicional das estepes, a Pêssanka feita pelos imigrantes já assimilou símbolos típicos daqui, como o pinhão, o pinheiro e a Gralha Azul.
Aos 80 anos, Maria ainda produz algumas peças, mas seu maior legado é o conhecimento que passou às outras gerações de descendentes, durante os 12 anos em que ensinou a pintura de ovos.
Diferente do artesanato japonês, a comercialização de pêssankas vai além do consumo dos imigrantes, já foi absorvida pela cultura local. Maria tem vários ''discípulos'' nesta arte que abastecem a demanda.

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