Arte que vem com a casa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Fabiano Camargo 
Marcelo Almeida
Regina Casillo, curadora da exposição, e Lélia Brown, uma das artistas participantes: aprovando o interesse das empresas pelo marketing cultural
Para promover a venda de lotes do condomínio horizontal Village Moudon, no bairro Cascatinha, a construtora Portofino, de Curitiba, investiu num projeto curioso e, segundo os diretores da empresa, inédito. Vinte e dois artistas plásticos paranaenses foram convidados a retratar em quadros o espaço onde o empreedimento imobiliário está sendo construído, uma área de 40 mil metros quadrados que inclui um bosque, lago e fontes naturais.
Participaram do projeto os artistas Rubem Esmanhoto, Vivian Vidal, Corina Ferraz, Jair Amaral, José Antônio de Lima, Álvaro Borges Jr, Costância Nery, Cassio Mello, Karimi Abdala, Simone Campos, Jan Bogulawski, Fernando Ikoma, Janete Ikoma, Iko Jú, Lélia Brown, Marisa Saraiva, Lahir Ramos e Bina Ricari.
Os trabalhos foram reunidos numa exposição que já passou pela Feira Imobiliária, realizada semana passada no Parque Barigui, e até dia 8 poderá ser vista no saguão do Aeroporto Afonso Pena. Quando os 20 lotes do condomínio forem entregues, a exposição vai ser desmembrada: cada morador vai ganhar uma das telas.
DivulgaçãoA natureza serviu de inspiração para os 21 artistas, que utilizaram técnicas e estilos diferentes para retratar a mesma paisagem
A idéia de promover o empreendimento utilizando obras de arte não nasceu de nenhum conceito de marketing bolado num escritório, diz o dono da construtora, Eurico Borges dos Reis. Numa visita ao loteamento, um cliente disse que era tão bonito que parecia uma obra de arte. A partir daí, tive a idéia de fazer uma exposição.
Contatada pela construtora, a galeria de arte Solar do Rosário reuniu os artistas que participaram do projeto e foi responsável pela curadoria. Conforme a proprietária do Solar, Regina Casillo, as pinturas foram encomendadas sem nenhuma interferência. Depois de uma visita conjunta ao loteamento, cada artista trabalhou com liberdade total para escolher o que e como gostaria de pintar.
A exposição garantiu uma boa divulgação para a construtora e o empreendimento, com menos de um mês, já tem mais da metade dos lotes vendidos - cada lote do condomínio tem 2 mil metros quadrados, a um preço de R$ 240 mil. O diretor da construtora diz que o projeto previa incrementar as vendas de maneira indireta. O que esperamos é dar um exemplo no reconhecimento das coisas de Curitiba e do Paraná. Assim, acabamos valorizando também nosso produto. Segundo ele, o resultado foi muito satisfatório. O marketing cultural é o melhor veículo para atingir as classes de maior poder aquisitivo. E, em geral, as pessoas estão cansadas daquelas mensagens publicitárias tradicionais.
Entre os artistas que participaram da exposição, estavam artistas novos como Lahir Ramos. Ela aprovou a idéia como uma maneira de expandir o público dos artistas locais. Foi um evento que levou nossa arte ao público. Isso é muito interessante porque não existem muitos espaços com boa divulgação e o mercado na cidade ainda é um pouco limitado, diz.
O fato de os quadros terem sido encomendados para a promoção de um empreendimento comercial não tira seu valor artístico, segundo a artista plástica Lélia Brown, que participou da mostra e é presidente da Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná. Cada artista retratou o local com seu estilo, sua técnica, o que resultou numa exposição interessante. Pode-se ver ângulos e leituras diferentes para um mesmo tema. Até os que trabalham com uma pintura mais abstrata conseguiram criar mantendo a unidade da exposição.


