Inspirado pela obra "Poética do Espaço", do filósofo francês Gaston Bachelard, o coordenador do Departamento de Arte e Cultura do Colégio Nossa Senhora Medianeira, Nilton Cezar Tridapalli, passou a ver nas vastas paredes da escola grandes painéis esperando por uma intervenção estética. A idéia deu origem ao projeto homônimo ao tratado filosófico, que trouxe para o ambiente escolar obras de diversos artistas paranaenses ou radicados no Paraná.
Na sexta-feira passada, dois novos trabalhos passaram a fazer parte do acervo, iniciado em 2005. Com o painel de Paulo Assis e as esculturas de Jonas Corrêa, o projeto conta agora com dez obras produzidas por nove autores, entre eles, duas ex-alunas, Marianna Greca e Pillar Muzillo, que venceram concurso interno para a seleção de trabalhos artísticos de alunos do Colégio, em 2006. Os demais artistas são Cid Gonçalves, Cláudio Kambé, Luiz Rettamozo, Marcelo Weber e Deivid Reis Marinho, que coordenou a equipe responsável pela grafitagem do muro externo do Colégio.
"O colégio tem uma área construída muito grande e tinha muitas paredes livres, que estavam pedindo essa intervenção. Será que elas têm que ser só para dividir ambientes? Podem ser mais do que apenas um lugar de passagem, de transição, não só funcional, mas estético", observa Tridapalli. Segundo o coordenador, além de conferir beleza ao espaço, as obras têm o poder de estimular o embate de idéias e a reflexão, unindo a dimensão estética à ética. "Nossa sociedade é bem pragmática, tudo tem que ter uma finalidade. Já a arte não é pragmática, é reflexão", explica Tridapalli. Entre os alunos, quanto mais novos, maior é a receptividade, observa o coordenador. "Os menores começam a falar o que vêem, não têm a preocupação se está certo ou errado", afirma.
Para o artista plástico Paulo Assis, ter seu trabalho no ambiente escolar é uma forma de aproximação com o público e uma oportunidade de formação de novos apreciadores da arte. "Não fica distante em galeria, as pessoas vão conviver com isso. Quem tem esse contato com a arte através da família e da escola, dá valor. Não só valor decorativo", avalia Assis. Em seu trabalho, Paulo Assis trabalhou com fibras naturais, entalhe e pigmentos para abordar a convivência harmônica entre o homem e a natureza. Boa parte da matéria-prima usada pelo artista vem da Fazenda Palmeira, no município de Santa Mariana, no Norte Pioneiro.
Já o conjunto de esculturas produzido por Jonas Corrêa é uma releitura da passagem bíblica sobre o franzino Davi que derrota o gigante Golias em um só golpe. Na obra de Corrêa, o menino Davi atira cores em Golias, e a cena é observada ao longe por um grupo de crianças representadas em cores primárias. "As crianças estão em cores diferentes para representar a igualdade. O menino atirando cores em Golias é a arte modificando o mundo, ele está colorindo o mundo do gigante", explica o artista. "O desafio era deslocar o confronto direto e mostrar a poesia da arte", completa Corrêa, enquanto é observado por crianças admiradas com o fato de estarem na presença de um artista de verdade. "Ele é o autor?", questionavam surpresas.

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