Quem vem de fora ou mora em Londrina costuma dizer que a cidade reflete criatividade na cultura. Isso porque as dificuldades estruturais e financeiras não impedem que as atividades artísticas aconteçam, ainda que de forma improvisada. Prova disso são os inúmeros festivais que a cidade promove ao longo do ano, levando as várias linguagens da arte a vários cantos do município.
  Quando fala-se em espaços alternativos, impossível não lembrar do Festival Internacional de Londrina (Filo). As peças apresentadas ao ar livre, em barracões desativados, quadras de esporte, viraram uma marca do evento. E, mais do que nunca, tais locais são utilizados para as apresentações, principalmente depois do incêndio que destruiu o Teatro Ouro Verde, em fevereiro deste ano, símbolo importante das manifestações artísticas da cidade.
  Nitis Jacon, que iniciou o movimento do Filo na cidade, conta que as primeiras apresentações foram realizadas nestes espaços, justamente, porque não havia locais específicos. ‘‘Não tínhamos teatro, nem mesmo lugares considerados apropriados. Mas tínhamos cultura e arte a ser feita. Para isso, incentivamos os grupos locais a aceitarem o desafio. A receptividade foi extremamente positiva’’, relata, sobre como faziam para driblar os obstáculos estruturais.
  A partir da aceitação, qualquer lugar poderia servir de palco. ‘‘Houve apresentações em arenas de tourada, sob o lago Igapó com um palco flutuante, em igrejas, na antiga cadeia de Londrina’’, relembra Nitis.
  Com a adaptação do Cine Ouro Verde para teatro e a construção de outros espaços, Nitis argumenta que foram ampliadas as possibilidades de tipos de peças. ‘‘Porém, continuamos atuando com o inusitado de forma a atrair o público, sobretudo da periferia, cujo interesse tinha sido despertado.’’
  No momento, com a ausência do Ouro Verde, ela sugere que o espírito criativo retorne com mais força. ‘‘É hora de reinventar e criar com o que está ao nosso alcance. Se começamos do nada há mais de 40 anos, podemos fazer isso novamente’’, defende.
  Neste cenário, as vilas culturais funcionam como novos pontos de manifestações e produções artísticas. São espaços patrocinados pelo poder público, mas independentes. Atualmente, há 12 vilas no município, contemplando diferentes propostas e linguagens.
  A boa notícia para o setor cultural da cidade é que o governador Beto Richa já garantiu incluir o valor de R$ 16 milhões no orçamento estadual de 2013 para a reconstrução do Ouro Verde. Ao mesmo tempo, a prefeitura anunciou que já foi feita a licitação para a primeira fase do Teatro Municipal e as obras devem começar ainda este mês.

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