Arte e Ciência da Cenografia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de maio de 1997
Fabiano Camargo 
Gilson CamargoA cenógrafa Simone Pontes dirige um curso de cenografia pioneiro da cidade: Nosso trabalho está sendo cada vez mais compreendido e valorizadoDe um barracão instalado nos fundos do Teatro Novelas Curitibanas em breve estará saindo uma nova geração de profissionais da arte que promete conquistar os palcos da cidade. No local funciona o curso Oficina Permanente de Cenografia, o primeiro da cidade a ter atividade incessante durante todo o ano, coordenado pela cenógrafa e arquiteta Simone Pontes. O curso comprova o desenlvolvimento da cenografia, que vem ganhando um destaque que até pouco tempo não tinha.
O cenógrafo está sendo cada vez mais valorizado dentro do teatro brasileiro, e curitibano, como um profissional especializado. Está cada vez mais rara aquela prática de o diretor de uma peça fazer tudo, inclusive o cenário. Apesar disso, ainda faltava um curso permanente, diz Simone Pontes, 33 anos, cenógrafa há quatro e uma das mais solicitadas do teatro local - entre os trabalhos mais badalados do seu currículo está o cenário da peça Eros, feito com garrafas de refrigerante (leia texto ao lado).
Dividido em módulos mensais, o curso aborda todos os fundamentos da cenografia, do desenho até a utilização de diferentes tipos de materiais. Além de Simone, outros profissionais participam. O projeto de conclusão é a montagem de um cenário completo de um espetáculo teatral. A pesquisa de novas técnicas e materiais é constante. O cenógrafo é um tipo de cientista da arte, define. A liberdade de criação é imensa: com jornais velhos pode-se fazer um cenário inteiro. Mas existem certas características que não podem ser deixadas de lado, como a facilidade de transporte.
Arquivo FolhaDez mil garrafas de plástico foram empregadas pela cenógrafa para fazer o cenário da peça Eros
Na hora de desenhar os cenários, Simone Pontes procura se integrar totalmente com as companhias teatrais com que trabalha. Costumo projetar nos ensaios, conversando com o diretor e, principalmente, assistindo a atuação dos atores. Eles são o mais importante do espetáculo e o cenário deve completar a atuação.


