A passagem do famoso e profissionalíssimo Cirque du Soleil, por Curitiba, não apenas encantou quem conferiu o espetáculo. A massiva divulgação da trupe circense também tocou a imaginação de quem não pôde ver de perto os malabarismos dos artistas e assistiu à montagem ‘‘Alegría’’ em DVD. Uma fervorosa e criativa releitura do espetáculo do Cirque du Soleil é executada pelos alunos do Centro de Educação Integral (CEI) do Expedicionário, no Portão. As apresentações e treinos promovem uma ‘‘revolução’’ na escola, seja nos alunos artistas ou mesmo nos pequenos espectadores.
  ‘‘Quem não participa, deseja participar. Virou ‘moda’ na escola. Todo dia vem alguém me perguntar se pode entrar no espetáculo. Mas explico que para participar o aluno precisa colaborar em sala de aula, ter bom comportamento e rendimento escolar. Esse é o único requisito para ingressar no grupo’’, conta a professora de Educação Física do CEI, Marina Paludzyszyn, também responsável em desenvolver o trabalho no estabelecimento. Foi ela quem levou o DVD de ‘‘Alegría’’ para exibir na escola e inspirou a criançada a montar seu próprio espetáculo se espelhando na fantástica
trupe circense.
  ‘‘As crianças já realizavam um trabalho para confecção de seus próprios brinquedos. Fizemos malabares, balangandãs, arcos e isso os incentivou a praticar malabarismos. Algumas meninas também já tinham habilidades para a ginástica rítmica e o que fiz foi aproveitar isso, ensinando coreografias e organização espacial. A releitura foi uma consequência de tudo’’, explica a professora. O grupo que iniciou com dez alunos, da Educação Infantil a 4ªsérie do Ensino Fundamental, hoje, conta com cerca de 30. O CEI possui ao todo 280 estudantes. ‘‘Eles sozinhos se exercitam e aprimoram os malabarismos e vêm me mostrar. Eles se esforçam para fazer cada vez melhor’’, completa ela.
  A cancha esportiva do CEI vira picadeiro, uma cortina colorida garante o suspense das atrações e a trilha sonora do Cirque du Soleil divide os números. Nos bastidores, uma correria para vestir os figurinos, muitos deles improvisados e doados pelos professores. A maquiagem é feita pelas mãos dos pequenos ou com a ajuda das docentes. O espetáculo, que dura em torno de trinta minutos, tem platéia barulhenta e animada. Nem espera o fim da apresentação e já está batendo palmas. Antes dos alunos entrarem em cena, a professora Marina, vestida de palhaço, pegunta para a garotada quem gostaria de participar. A resposta é ensurdecedora e todos gritam ‘‘Eu’’.
  O público faz a contagem regressiva e, enfim, surgem os primeiros artistas-mirins. São os acrobatas. Um de cada vez corre, pula no trampolim, dá uma cambalhota e cai nos colchões. Depois, duplas dão cambalhotas. Levantam, erguem os braços e pedem palmas. Um grupo de lindas meninas, uniformizadas e supermaquiadas fazem contorcionismo, colocam os pés na cabeça e sorriem. Em seguida, três garotinhas balançam o bambolê na cintura, nos braços e na ponta dos pés. Agora, é a vez dos malabaristas. Um ‘‘planta bananeira’’ e parece gostar de enxergar o mundo de cabeça para baixo. Outros dois alunos equilibram os malabares, bastões e os balangandãs. Mais aplausos.
  Novamente entra a turma uniformizada, desta vez, com bolas. Esse é o último número. Começam a se contorcer e jogar as bolas. As meninas buscam a todo custo a sincronia. ‘‘Acho essa iniciativa excelente porque torna os alunos mais produtivos, eles se dedicam mais em sala de aula e também aos ensaios. Percebemos o esforço que fazem para a coreografia parecer com a dos artistas do Cirque du Soleil’’, disse a professora Geralda Durantes, 46 anos. ‘‘Eu vi no DVD a moça do bambolê e me interessei. Ensaio em casa e treino nas aulas para fazer cada vez melhor’’, revela Francieli Pereira, de 9 anos.
  ‘‘Comecei brincando de bastão no recreio e faz tempo que treino. Não tenho vergonha, é só prestar atenção na música e olhar para o ar, se concentrar, que dá tudo certo’’, detalha Gabriel de Souza, 12 anos. A pequena Nicole da Silva, 8 anos, destaque da ginástica rítmica, só pensa em se dedicar ainda mais ao esporte. ‘‘Eu fico treinando em casa, faço alongamento. Acho a parte com bolas a mais legal. Antes tinha vergonha, agora fico calma na apresentação. Nunca mais quero deixar a ginástica’’, conta a menina sorridente.

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