Arroz, feijão e molho agridoce
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Luiza Xavier<br>Equipe da Folha 
Os imigrantes chineses que vieram para a capital paranaense nos anos 70 e dedicaram-se ao comércio ficaram famosos pela qualidade dos pastéis que ofereciam em suas lanchonetes. Tempos depois, tornaram-se referência com suas lojas que ofertavam produtos a R$ 1,99. Mais recentemente, se aperfeiçoaram na arte de agradar ao paladar de quem está disposto a experimentar novos sabores sem abrir mão do arroz com feijão e dos preços acessíveis.
Segundo a regional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), dos 35 estabelecimentos de culinária oriental de Curitiba cadastrados junto à entidade, 15 são especializados em cozinha chinesa. Na avaliação de Ener Komagata, presidente da Câmara Setorial dos Restaurantes de Comida Oriental, muito do sucesso deve-se aos primeiros estabelecimentos que entregavam comida em domicílio. As pessoas foram se acostumando e, agora, a cozinha chinesa já não é mais novidade, foi incorporada ao cardápio do brasileiro, virou rotina, assim como as massas e as pizzas, compara.
Ao colocar lado a lado pratos como frango ao molho agridoce, batatas fritas, massas, maionese, verduras e rolinhos primavera, sem esquecer a banana caramelada, esses comerciantes difundiram a moda dos bufês de cozinha brasileira e chinesa, que atraem cada vez mais consumidores.
Eu já conhecia a comida oriental porque tenho amigos chineses e japoneses. Adoro yakissoba (tipo de macarrão com carne e legumes) e passei a freqüentar esse aqui porque fica perto do meu trabalho, diz Israel Soares, consultor de informática. A dona de casa Edlamar Cruvinel também virou fã e almoça todo dia no bufê que abriu perto de sua casa. Aqui é tudo fresquinho, é limpo, e o atendimento é muito bom. Deixei de cozinhar, garante.
Bufês também estão nos bairros
Antes restritos ao Centro da Cidade, hoje, é possível encontrar os bufês a quilo de comida chinesa e brasileira também nos bairros. Há três meses, o casal Situ, de 24 anos, e Alice Xinchang, de 23, inaugurou um restaurante no Portão, onde emprega quatro brasileiros, além do cozinheiro chinês. Aqui há menos concorrência. No começo foi difícil, mas, em geral, o curitibano gosta da comida chinesa. A gente coloca pratos brasileiros para ter mais variedade, explica Situ.
Enquanto aguarda a chegada do primeiro filho - a mulher está grávida de quatro meses - o rapaz, que, há dez anos, saiu da província de Guangdon, no Sul da China, com os pais em busca de uma vida melhor se reveza, de segunda a segunda, das 11 às 15 horas, entre o caixa e a balança do restaurante que serve cerca de 170 refeições por dia.
Rotina semelhante tem Tan Zheng Quan, de 55 anos, que chegou a Curitiba em 1997, vindo da China Continental. Atualmente, ele tem uma clientela fiel no bufê e na lanchonete que mantém na Rua XV de Novembro. Apesar do contato com tantos brasileiros, se comunicar em português ainda representa uma dificuldade. Não sei falar direito, não, moça. Vai lá no restaurante do meu filho. Lá é muito lindo, justifica o comerciante, evitando a entrevista.


