O arroz é o alimento básico de 3 bilhões de pessoas, por isso a Food and Agriculture Administration (FAO), órgão das Nações Unidas, consagra esse cereal como fonte de vida e elege 2004 como o Ano Internacional do Arroz. Não à toa existe a Fundação de Arroz da Ásia, uma das mais poderosas instituições mundiais e que traça as políticas de amparo a esse produto. Nos remotos povoados do sudeste da Ásia os agricultores comparam um grão de arroz a uma pepita de ouro, tal a reverência com que tratam esse alimento, sagrado para eles.
Na China, Índia, Japão, Coréia, Indonésia, Birmânia, Vietnã, Tailândia, o arroz é componente alto de sua cultura alimentar, e na África Ocidental os aldeões dão as boas vindas aos convidados com suculentos pratos à base dessa apreciada comida. Para esses países e tantos mais, é alimento fundamental; para outros é complemento, mas a grande maioria dos povos da Terra consome arroz. Ele está presente no consumo diário, em banquetes, festas religiosas e bodas, e simboliza desejos de prosperidade ao ser lançado sobre os noivos no dia do casamento. Esta uma tradição quase mundial, marcadamente dos países asiáticos, onde existe até um deus do arroz.
Mas o milenar ''grão de ouro'' não é apenas essas coisas e também negócio, que envolve gigantescas somas e mobiliza outras tantas, pelos empregos que oferece sobretudo para as mulheres desde o plantio e colheita até a armazenagem, transporte, processamento, transformação, ensacamento, embalagem, comercialização e a indústria da maquinaria que essa cultura exige, em todas as suas fases. Sem o arroz, a humanidade estariam passando por dificuldades ainda maiores e a Fundação do Arroz, assim como a FAO, diligenciam para transformá-lo em forte combatente da fome no mundo e são 850 milhões de famintos, dos quais 200 milhões de crianças, pelos números da ONU.
O arroz, na Ásia, inspira poetas e pintores e é tema de delicadas canções. Com ele se faz produtos de beleza e o milenar pó de arroz. Com a palha produz-se rico artesanato, sendo famosos os chapéus da Tailândia, da Malásia, das Filipinas, da China. Os arrozais embelezam a paisagem, mais parecendo um grande mar verde e que depois vai assumindo o tom dourado do amadurecimento. Os maiores produtores de arroz são China, com l66 milhões de toneladas/ano; India, 133 milhões; Indonésia, 52 milhões; Bagladesh, 38 milhões; Vietnã, 35 milhões; Tailândia, 27 milhões; Myanmar, 22 milhões; Filipinas, 13 milhões; Brasil, 10,2 milhões; e Japão, 9,8 milhões de toneladas/ano. Tailândia é o maior exportador desse produto, com 7,6 milhões de toneladas/ano, Vietnã o segundo, com 3,7 milhões, e surpreendentemente os Estados Unidos, que figuram em terceiro lugar com 2,6 milhões de toneladas, embora não sejam grandes produtores. O Japão, que importa a maioria dos alimentos, é auto-suficiente em arroz e dele extrai o famoso saquê, através de grandes destilarias. Dos 576 milhões de toneladas de arroz produzidas no mundo, 523 milhões são oriundas da Ásia ou quase a totalidade e 4/5 compõem pequenas propriedades.
E muito mais utilidades tem esse produto, porque combina com outras atividades econômicas. Pode ser cultivado em meio a outras plantações, serve de alimento para criar peixes e patos e sua palha é alimento para o gado. O arroz se dá bem tanto em terrenos alagados como secos, em ladeiras e terraços. No Japão só para citar um país asiático mais conhecido dos brasileiros planta-se arroz irrigado nos morros, pelo sistema de plataformas e taipas. E não apenas lá, mas também em terrenos planos e em desnível do sul do Brasil, pelo mesmo sistema. Arrozais previnem erosão, favorecem a reserva de água subterrânea, e nos alagados permitem a acumulação de matéria orgânica no solo.

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