Arquivo vivo
Neta de Fernando Augusto Moreira, primeiro diretor brasileiro do Colégio Progresso, Laís Moreira Amarante estudou na escola entre 1937 e 1942. Dona de uma lucidez invejável aos 83 anos, ela é um verdadeiro ''arquivo vivo'' dos primórdios da instituição. Já doou fotos e documentos para a campanha de resgate histórico da Escola Técnica da UFPR, mas seu depoimento prevalece sobre os registros.
''Naquela época, Curitiba tinha apenas 120 mil habitantes. Lembro disso porque caiu na minha prova de admissão para o colégio'', brinca a dentista aposentada, que até o ano passado participava ativamente das campanhas estaduais de prevenção à cárie. Em tempo: Laís é tia de Carlos Moreira Júnior, ex-reitor da UFPR e pré-candidato à Prefeitura de Curitiba pelo PMDB.
Dos tempos de Colégio Progressso, Laís se recorda principalmente da relação com os estudantes da colônia alemã. Muitos deles, especialmente os rapazes, eram simpatizantes de Hitler e faziam parte da chamada Juventude Brasileira. Um grupo que atraía a atenção do demais colegas por estar sempre envolvido com excursões, bailes e outras atividades sociais. ''Mas meu pai, que era contra o Eixo, fazia questão de abrir os nossos olhos para os perigos do nazismo'', afirma.
Respeitado pelos alemães que ainda mantinham a escola, Fernando Moreira comandou o processo de nacionalização sem maiores dificuldades. Exceto por um incidente ''quase diplomático'' ocorrido pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial.
Em uma sala decorada com bandeiras de inspiração nazista, a ala germânica do colégio exibiu um filme sobre as Olímpiadas de 1936, realizada na Alemanha no auge da Era Hitler. No meio da sessão, estudantes brasileiros se aproveitaram do escuro da sala, arrancaram os enfeites e com eles fizeram uma fogueira do lado de fora. Resumo da ópera: uma carta exigindo desculpas, assinada pelo próprio ''Fuhrer'', chegou às mãos do diretor.
Para Laís, a confusão - que ficou por isso mesmo - era apenas o reflexo de um momento crucial para o País. ''O Brasil, que era um aglomerado de imigrantes, finalmente estava se tornando uma nação'', reflete. (O.G.)





