Na primeira geração de arquitetos que espalharam as idéias modernistas pela cidade - fase que vai da década de 30 até a fundação do curso de arquitetura da UFPR, em 1965 -, dois nomes têm destaque especial. Elgson Ribeiro Gomes, que aos 74 anos continua trabalhando e já contabiliza mais de 100 obras concluídas em Curitiba, e Rubens Meister, da mesma idade, autor do Teatro Guaíra, e de outras obras como a Rodoferroviária (de 1969) e a Sede da Prefeitura (1960). Trouxeram uma mudança no pensamento da arquitetura, como a do concreto armado e das esquadrias moduladas e por novas idéias que concebiam uma utilização mais racional dos espaços. Elgson Ribeiro Gomes nasceu em Florianópolis. Veio para Curitiba na adolescência, onde começou a trabalhar como desenhista e ingressou na faculdade de Engenharia Civil. Não satisfeito, foi para São Paulo, formou-se em arquitetura e trabalhou com um grande nome do modernismo, o alemão Franz Heep, discípulo do papa da arquitetura moderna, o francês Le Corbusier.
Na década de 50, viveu o boom da construção civil em São Paulo, adquirindo muita experiência. Em 1953, projetou um dos primeiro edifícios a adotar o estilo moderno em Curitiba, o Edifício Souza Naves, em parceria com Heep. Em dupla, também realizaram outro marco arquitetônico, o Edifício do MAPI, em Caiobá (1957). No final dos anos 50, voltou para Curitiba e passou a ser o arquiteto local mais requisitado. ‘‘Não existiam profissionais na cidade, que estava faminta por soluções. Trabalhei dia e noite’’. Outros projetos elogiados de Ribeiro Gomes são os Edifícios Gemini (1969) e o José Biscaia (1974).
Avaliando o interesse que começa a ser dedicado ao modernismo pioneiro em Curitiba, Elgson salienta a necessidade de ser criada uma memória para o tema. ‘‘Curitiba já tem uma mentalidade de preservação memória, só falta extendê-la ao modernismo’’, diz, acenando com um exemplo de desrespeito. ‘‘O prédio Souza Naves, sede do IPASE, já sofreu duas reformas esquisitas que mutilaram o projeto original. Sou a favor de uma legislação própria sobre este tema’’. A posição também é defendida por Rubens Meister, que acrescenta outro ponto na discussão sobre o urbanismo e arquitetura. ‘‘As aglomerações de prédios, que acontecem em bairros como o Champagnat, deveriam ser repensadas’’.

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